Callado's "Contadora de História"











{novembro 10, 2008}   Império Maia

Ruinas de construções maias no México

Ruínas de construções maias no México

 

A Civilização Maia habitou a América Central nos actuais Belize e Guatemala, e no Iucatã ao sul do México, com uma rica história de 3 000 anos, tratando-se de uma cultura meso-americana pré-colombiana. Contrariando a crença popular, o povo maia nunca “desapareceu”, pois milhões ainda vivem na mesma região e muitos deles ainda falam alguns dialectos da língua original. Este artigo discorre principalmente sobre a civilização maia antes da conquista espanhola.
 
 
Origem
 
Evidências arqueológicas mostram que os maias começaram a edificar a sua arquitectura cerimonial há 3 000 anos. Entre os estudiosos há um certo desacordo entre os limites e diferenças entre a civilização maia e a cultura meso-americana pré-clássica vizinha dos olmecas. Os olmecas e os maias antigos, parecem ter-se influenciado mutuamente.
 
Os monumentos mais antigos consistem em simples montículos onde construíram tumbas funerárias, precursoras das pirâmides
erigidas mais tarde.
 
Eventualmente, a cultura olmeca ter-se-ia desvanecido depois de dispersar a sua influência na península de Iucatã, na Guatemala
e em outras regiões.
 
Os maias construíram as famosas cidades de Tikal, Palenque, Copán, e Calakmul, também Dos Pilas, Uaxactún, Altún Ha, e muitos outros centros habitacionais na área. Desenvolveram um império baseado na agricultura depois de uma longa fase de cidades-estado independentes. Os monumentos mais notáveis são as pirâmides que construíram nos seus centros religiosos, junto aos palácios dos seus governantes. Outros restos arqueológicos muito importantes são as chamadas estelas (os maias chamam-nas de Tetún, ou “tres piedras”), monólitos de proporções consideráveis que descrevem os governantes da época: a sua genealogia, os seus feitos de guerra e outros grandes eventos, gravados em caracteres hieroglíficos
.
 
Os maias participavam activamente no comércio em toda a meso-américa e possivelmente além. Entre os principais produtos do comércio estavam o cacau, o sal e a obsidiana (variedade de rocha vulcânica de aspecto vítreo, que outrora era utilizada para fazer facas, pontas de lança, espelhos,
etc.).
 
Arte
 
Muitos consideram a arte maia da Era Clássica (200 a 900 d.C.) como a mais sofisticada e bela do Novo Mundo antigo. Os entalhes e relevos em estuque de Palenque e o estatuário de Copán são especialmente refinados, mostrando uma graça e observação precisa da forma humana, que recordaram aos primeiros arqueólogos da civilização do Velho Mundo, daí o nome dado à Era.
 
Somente existem fragmentos da pintura avançada dos maias clássicos, a maioria sobrevivente em artefactos funerários e outras cerâmicas. Também existe uma construção em Bonampak que tem murais
antigos e que, afortunadamente, sobreviveram a um acidente.
 
Com as decifrações da escrita
maia descobriu-se que essa civilização foi uma das poucas nas quais os artistas escreviam o seu nome nos seus trabalhos.
 
Arquitectura
 
A arquitectura maia abarca vários milénios; ainda assim, mais dramática e facilmente reconhecíveis como maias são as fantásticas pirâmides escalonadas do final do período pré-clássico em diante. Durante este período da cultura maia, os centros de poder religioso, comercial e burocrático, cresceram para se tornarem incríveis cidades como Chichén Itzá, Tikal e Uxmal. Devido às suas muitas semelhanças assim como diferenças estilísticas, os restos da arquitectura maia são uma chave importante para o entendimento da evolução da sua antiga civilização.
 
Desenho urbano
 
Ainda que as cidades maias estivessem dispersas na diversidade da geografia da meso-américa, o efeito do planeamento parecia ser mínimo; as suas cidades foram construídas de uma maneira um pouco descuidada, como ditava a topografia e declive particular. A arquitectura maia tendia a integrar um alto grau de características naturais. Por exemplo, algumas cidades existentes nas planícies de pedra calcária no norte do Iucatã converteram-se em municipalidades muito extensas enquanto que outras, construídas nas colinas das margens do rio Usumacinta, utilizaram os declives e montes naturais da sua topografia para elevar as suas torres e templos a alturas impressionantes. Ainda assim prevalece algum sentido de ordem, como é requerido por qualquer grande cidade. No começo da construção em grande escala, geralmente estabelecia-se um alinhamento com as direcções cardinais e, dependendo do declive e das disponibilidades de recursos naturais como água fresca (poços ou cenotes), a cidade crescia ligando grandes praças com as numerosas plataformas que formavam os fundamentos de quase todos os edifícios maias, por meio de calçadas ou sacbeob. No coração das cidades maias existiam grandes praças rodeadas por edifícios governamentais e religiosos, como a acrópole real, grandes templos de pirâmides e ocasionalmente campos de jogo de bola. Imediatamente para fora destes centros rituais estavam as estruturas das pessoas menos nobres, templos menores e santuários individuais. Entretanto, quanto menos sagrada e importante era a estrutura, maior era o grau de privacidade. Uma vez estabelecidas, as estruturas não eram desviadas das suas funções nem outras eram construídas, mas as existentes eram frequentemente reconstruídas ou remodeladas. As grandes cidades maias pareciam tomar uma identidade quase aleatória, que contrasta profundamente com outras cidades da meso-américa como Teotihuacán na sua construção rígida e quadriculada. Ainda que a cidade se dispusesse no terreno na forma em que a natureza ditara, punha-se cuidadosa atenção à orientação dos templos e observatórios para que fossem construídos de acordo com a interpretação maia das órbitas das estrelas. Afora os centros urbanos constantemente em evolução, havia os lugares menos permanentes e mais modestos do povo comum.
 
O desenho urbano maia pode descrever-se singelamente como a divisão do espaço em grandes monumentos e calçadas. Neste caso, as praças públicas ao ar livre eram os lugares de reunião para as pessoas. Por esta razão, o enfoque no desenho urbano tornava o espaço interior das construções completamente secundário. Somente no período pós-clássico tardio, as grandes cidades maias se converteram em fortalezas
que já não possuíam, na maioria das vezes, as grandes e numerosas praças do período clássico.
 
Materiais de construção
 
Um aspecto surpreendente das grandes estruturas maias é a carência de muitas das tecnologias avançadas que poderiam parecer necessárias a tais construções. Não há notícia do uso de ferramentas de metal, polias ou veículos com rodas. A construção maia requeria um elemento com abundância, muita força humana, embora contasse com abundância dos materiais restantes, facilmente disponíveis. Toda a pedra usada nas construções maias parece ter sido extraída de pedreiras locais; com maior frequência era usada pedra calcária, que ainda que extraída e exposta, permanecia adequada para ser trabalhada e polida com ferramentas de pedra, só endurecendo muito tempo depois. Além do uso estrutural de pedra calcária, esta era usada em argamassas feitas do calcário queimado e moído, que tem propriedades muito semelhantes às do actual cimento, geralmente usada para revestimentos, tetos e acabamentos e para unir as pedras apesar de, com o passar do tempo e da melhoria do acabamento das pedras, reduzirem esta última técnica, já que as pedras passaram a encaixar-se quase perfeitamente. Ainda assim o uso da argamassa permaneceu crucial em alguns tetos de postes e vergas sobre portas e janelas (dintel). Quando se tratava das casas comuns, os materiais mais usados eram as estruturas de madeira, adobos nas paredes e cobertura de palha, embora tenham sido descobertas casas comuns feitas de pedra calcária, senão total, parcialmente. Embora não muito comum, na cidade de Comalcalco, foram encontrados ladrilhos de barro cozido, possivelmente solução encontrada para o acabamento em virtude da falta de depósitos substanciais de boa pedra.
 
Processo de construção
 
Todas as evidências parecem sugerir que a maioria dos edifícios foi construída sobre plataformas aterradas cuja altura variava de menos de um metro, no caso de terraços e estruturas menores, até quarenta e cinco metros no caso de grandes templos e pirâmides. Uma trama inclinada de pedras partia das plataformas em pelo menos um dos lados, contribuindo para a aparência bi-simétrica comum à arquitectura maia. Dependendo das tendências estilísticas que prevaleciam na área e época, estas plataformas eram construídas de um corte e um aterro de entulhos densamente compactado. Como no caso de muitas outras estruturas, os relevos maias que os adornavam, quase sempre se relacionavam com o propósito da estrutura a que se destinavam. Depois de terminadas, as grandes residências e templos eram construídas sobre as plataformas. Em tais construções, sempre erguidas sobre tais plataformas, é evidente o privilégio dado ao aspecto estético exterior em contra-ponto a pouca atenção à utilidade e funcionalidade do interior. Parece haver um certo aspecto repetitivo quanto aos vãos das construções nos quais os arcos (como curvas) são raros, mas frequentemente rectos, angulados ou imbricados, tentando mais reproduzir a aparência de uma cabana maia, do que efectivamente incrementar o espaço interior. Como eram necessárias grossas paredes para sustentar o teto, alguns edifícios das épocas mais posteriores utilizaram arcos repetidos ou uma abóbada arqueada para construir o que os maias denominavam pinbal, ou saunas, como a do Templo da Cruz em Palenque. Ainda que completadas as estruturas, a elas se iam anexando extensos trabalhos de relevo ou pelo menos reboco para aplainar quaisquer imperfeições. Muitas vezes sob tais rebocos foram encontrados outros trabalhos de entalhes e dintéis e até mesmo pedras de fachadas. Comummente a decoração com faixas de relevos era feita em redor de toda a estrutura, provendo uma grande variedade de obras de arte relativas aos habitantes ou ao propósito do edifício. Nos interiores e notadamente em certo período foi comum o uso de revestimentos em reboco primorosamente pintados com cenas do uso quotidiano ou cerimonial.
 
Há sugestão de que as reconstruções e remodelações ocorriam em virtude do encerramento de um ciclo completo do calendário maia de conta larga, de 52 anos. Actualmente, pensa-se que as reconstruções eram mais instigadas por razões políticas do que pelo encerramento do ciclo do calendário, já que teria havido coincidência com a data da assunção de novos governantes. Não obstante, o processo de reconstrução em cima de estruturas velhas é uma prática comum. Notavelmente, a acrópole de Tikal
, parece ser a síntese de um total de 1500 anos de modificações arquitectónicas. Eles fazem a construção em pedras.
 
 
Construções
notáveis
 
Plataformas
cerimoniais
 
Estas eram comummente plataformas de pedra calcária com muros de menos de quatro metros de altura onde se realizavam cerimónias públicas e ritos religiosos. Construídas nas grandes plataformas, eram ao menos realçadas com figuras talhadas em pedra e às vezes tzompantli ou uma estaca usada para exibir as cabeças das vítimas ou sejam, os oponentes derrotados nos jogos de bola meso-americanos.
 
Palácios
 
Grandes e geralmente muito decorados, os palácios geralmente ficavam próximos do centro das cidades e hospedavam a elite da população. Qualquer palácio real grande ou ao menos que tivesse várias câmaras ou erguido em vários níveis, tem sido chamado de acrópole. Tais construções consistiam de várias pequenas câmaras ou pelo menos um pátio interno, parecendo propositadas a servirem de residência a uma pessoa ou pequeno grupo familiar decorada como tal. Os arqueólogos parecem estar de acordo em que muitos palácios são também o lugar de muitas tumbas mortuárias. Em Copán, debaixo de 400 anos de remodelações posteriores, descobriu-se a tumba de um dos seus antigos governantes e a acrópole de Tikal parece ter sido o lugar de vários sepultamentos do final do período pré-clássico e início do clássico.
 
Grupos E
 
Os estudiosos têm denominado de “Grupo E” à frequentemente encontrada formação de três pequenas construções, sempre situadas a oeste das cidades, tratando-se de um intrigante mistério a sua recorrência. Estas construções sempre incluem pelo menos uma pequena pirâmide-templo a oeste da praça principal que tem sido aceite como observatório devido ao seu preciso posicionamento em relação ao Sol, quando observado da pirâmide principal nos solstícios e equinócios. Outras teses sugerem que a sua localização reproduz ou pelo menos se relaciona com a história da criação do Universo segundo a mitologia maia, visto que vários dos seus adornos a ela, frequentemente, se referem.
 
Pirâmides e
templos
 
Com frequência os templos religiosos mais importantes se encontravam em cima das pirâmides maias, supostamente por ser o lugar mais perto do céu. Embora recentes descobertas apontem para o uso extensivo de pirâmides como tumbas, os templos raramente parecem ter contido sepulturas. A falta de câmaras funerárias indica que o propósito de tais pirâmides não é servir como tumbas e se as encerram isto é incidental. Pelas íngremes escadarias, permitia-se aos sacerdotes e oficiantes o acesso ao cume da pirâmide onde havia três pequenas câmaras com propósitos rituais. Os templos sobre as pirâmides, a mais de 60 metros de altura, como El Mirador
, de onde se descortinava o horizonte ao longe, constituíram estruturas impressionantes e espectaculares, ricamente decoradas. Comummente possuíam uma crista sobre o teto, ou um grande muro que, teorizam, poderia ter servido para a escrita de sinais rituais para serem vistos por todos. Como eram ocasionalmente as únicas estruturas que excediam a altura da selva, as cristas sobre os templos eram minuciosamente talhadas com representações dos governantes que se podiam ver de grandes distâncias. Debaixo dos orgulhosos templos estavam as pirâmides que eram, em última instância, uma série de plataformas divididas por escadarias empinadas que davam acesso ao templo.
 
Observatórios
astronómicos
 
Os maias foram excepcionais astrónomos e mapearam as fases e cursos de diversos corpos celestes, especialmente da Lua e de Vénus. Muitos dos seus templos tinham janelas e miras demarcatórias (e provavelmente outros aparatos) para acompanhar e medir o progresso das rotas dos objectos observados. Templos arredondados, quase sempre relacionados com Kukulcan
, são talvez os mais descritos como observatórios pelos mais modernos guias turísticos de ruínas, mas não há evidências que o seu uso tinha exclusivamente esta finalidade, como também, em vários templos sobre pirâmides, foram encontradas marcações de miras que indicam que observações astronómicas também foram feitas dali.
 
Campos de jogo de bola
 
Um aspecto interessante do estilo de vida meso-americano é o seu jogo de bola ritual e os seus campos ou estádios, que foram construídos por todo o império maia em grande escala. Estes estádios situavam-se normalmente nos centros das cidades. Tratava-se de espaços amplos entre duas laterais de plataformas ou rampas escalonadas paralelas, em forma de “I” maiúsculo direccionado uma plataforma cerimonial ou templo menor. Tais campos foram encontrados na maioria das cidades maias, excepto nas mais pequenas.
 
 
Sistema de
escrita
 
O sistema de escrita maia (geralmente chamada hieroglífica por uma vaga semelhança com a escrita do antigo Egipto, com o qual não se relaciona) era uma combinação de símbolos fonéticos e ideogramas. É o único sistema de escrita do novo mundo pré-colombiano que podia representar completamente o idioma falado no mesmo grau de eficiência que o idioma escrito no velho mundo. As decifrações da escrita maia têm sido um longo e trabalhoso processo. Algumas partes foram decifradas no final do século XIX e início do século XX
(em sua maioria, partes relacionadas com números, calendário e astronomia), mas os maiores avanços fizeram-se nas décadas de 1960 e 1970 e se aceleraram daí em diante de maneira que actualmente a maioria dos textos maias podem ser lidos quase completamente nos seus idiomas originais. Lamentavelmente, os sacerdotes espanhóis, na sua luta pela conversão religiosa, ordenaram a queima de todos os livros maias logo após a conquista. Assim, a maioria das inscrições que sobreviveram são as que foram gravadas em pedra e isto porque a grande maioria estava situada em cidades já abandonadas quando os espanhóis chegaram. Os livros maias, tinham normalmente páginas semelhantes a um cartão, feitas de um tecido sobre o qual aplicavam uma película de cal branca, sobre a qual eram pintados os caracteres e desenhadas ilustrações. Os cartões ou páginas eram atadas entre si pelas laterais de maneira a formar uma longa fita que era dobrada em zigue-zague para guardar e desdobrada para a leitura. Actualmente restam apenas três destes livros e algumas outras páginas de um quarto, de todas as grandes bibliotecas então existentes. Frequentemente são encontrados, nas escavações arqueológicas, torrões rectangulares de gesso que parecem ser restos do que fora um livro depois da decomposição do material orgânico.
 
Relativamente aos poucos escritos maias existentes, Michael Cor, um proeminente arqueólogo da Universidade de Yale disse:
“Nosso conhecimento do pensamento maia antigo representa só uma minúscula fracção do panorama completo, pois dos milhares de livros nos quais toda a extensão dos seus rituais e conhecimentos foram registados, só quatro sobreviveram até os tempos modernos (como se toda a posteridade soubesse de nós, baseados apenas em três livros de orações e “El Progreso del Peregrino).” (Michael D. Cor, The Maya, Londres: Thames y Hudson, 4ª ed., 1987, p. 161.)
 
Livros maias
  • Chilam Balam
  • Popol Vuh , (que significa livro da reunião ou comunidade, considerado a Bíblia Maia)
  • Rabinal Achí
  • Anais dos Cakchiqueles

 


Matemática
 
Os maias (ou os seus predecessores olmecas) desenvolveram independentemente o conceito de zero (de facto, parece que estiveram a usar o conceito muitos séculos antes do velho mundo), e usavam um sistema de numeração de base 20. As inscrições mostram-nos, em certas ocasiões, que trabalhavam com somas até à centena de milhões. Produziram observações astronómicas extremamente precisas; os seus diagramas dos movimentos da Lua e dos planetas se não são iguais, são superiores aos de qualquer outra civilização que tenha trabalhado sem instrumentos ópticos. Ao encontro desta civilização com os conquistadores espanhóis, o sistema de calendários dos maias já era estável e preciso, notavelmente superior ao calendário gregoriano
, muitas vezes reformado depois disto.
 
Decadência da civilização maia
 
Nos séculos VIII e IX a cultura maia clássica entrou em decadência, abandonando a maioria das grandes cidades e as terras baixas centrais. A guerra, o esgotamento das terras agrícolas e a seca, ou ainda a combinação destes factores, são frequentemente sugeridos como os motivos da decadência. Existem evidências de uma era final em que a violência se expandia: cidades amplas e abertas foram então fortemente guarnecidas por muralhas, às vezes visivelmente construídas às pressas. Teoriza-se também com revoltas sociais em que classes campesinas acabaram revoltando-se contra a elite urbana nas terras baixas centrais.
 
Os estados maias pós-clássicos também continuaram prosperando nos planaltos do sul. Um dos reinos maias desta área, Quiché, é o responsável pelo mais amplo e famoso trabalho de historiografia e mitologia maias, o “Popol Vuh”.
 
A conquista dos estados
maias
 
Os maias foram absorvidos durante o processo de expansão do império asteca por volta do século XV. Por fim, no ano de 1519, Hernán Cortez inicia a conquista das terras astecas, anteriormente parte do território maia. Algumas cidades ofereceram uma grande e feroz resistência; a última cidade estado não foi subjugada pelos espanhóis senão em 1697
.
 
Panorama das descobertas
 
Cristóvão Colombo, que tomou posse da ilhota (San Salvador) em nome da Coroa de Castela em 12 de Outubro de 1492 e vagou pelas ilhas do Haiti, Cuba e Jamaica, julgava tratar-se das costas ocidentais de Cipango (Japão) e Catai (China).
 
De retorno, a mercadoria mais interessante que trouxe foram habitantes das terras ocidentais, os índios Caraíbas (vendeu 509 deles em Sevilha em 1495 e o seu irmão vendeu 300 no ano seguinte em Cádis
) que, pela sua nudez e modos, logo denunciaram não pertencerem aos reinos das índias, havendo até quem dissesse que nem mesmo descendentes de Adão eram.
 
Assim, logo se alastrou o preceito de que se chegara apenas nas antilhas ou seja, terra inculta e inóspita a caminho das Índias, razão porque, em 1506, Juan Dias de Solis e Vicente Yanes Pizon, quando chegaram ao México, no extremo norte do Iucatã
, julgaram tratar-se apenas de mais outra ilha.
 
Nem no sôfrego desembarque emergencial de um punhado de sobreviventes de uma expedição de Vasco Nuñes de Balboa, em 1511, nas costas do México, nem a chegada de Ponce de León em 1513, mais ao norte, na Flórida, deram notícia dos Maias, que continuaram ignorados mesmo de Fernando Cortez quando se apoderava do Império Asteca no México Central a partir de 1519
.
 
Primeiro contacto
 
Foi somente em 4 de Março de 1517 que a flotilha comandada por Francisco Hernandes de Córdoba (que estava à procura de índios para os escravizar nas fazendas de Cuba), fugindo a uma tempestade que já durava dois dias, aportou no norte do Iucatã e logo foi assediada por algumas canoas repletas de maias vestidos com túnicas de algodão e (em razão de suas aparências) os espanhóis logo lhes atribuíram mais razão que os habitantes de Cuba.
 
As sólidas e grandiosas construções (“casas de cal y canto”) visíveis do mar inspiraram o nome que os espanhóis deram ao lugar: “Gran Cairo” que evocava a cultura islamita da qual os ibéricos eram tradicionais adversários (recorrentemente chamavam as pirâmides de mesquitas
). Tratava-se do primeiro contacto entre as duas civilizações.
 
Entendendo-se por sinais, os espanhóis aceitaram o convite e desembarcaram no dia seguinte e, após duas horas de marcha continente adentro, foram surpreendidos pelo ataque dos maias no qual, já de início, sucumbiram 15 espanhóis. E sucumbiriam todos, se não fora o uso dos mosquetes
que mais pelo barulho que pelo efeito fatal, pôs os atacantes em fuga.
 
Conta-nos Bernal Diaz de Castilho
 na sua obra História da Conquista da Nova Espanha, que ficaram horrorizados pelo grande número de ídolos de argila, uns com cabeças monstruosas, mulheres de grande estatura, todos em cenas e gestos diabólicos e que …Gonzales, o padre da expedição, passou os cinco dedos em diversos deles e confiscou todo o ouro que encontrou.
 
Apresando dois maias, a expedição fez-se ao mar novamente e navegou a oeste e sul até chegar na actual Campeche
cujas duas grandes torres visíveis ao longe do mar inspiraram o nome Punta de las Mujeres dado ao local.
 
Aí os espanhóis horrorizaram-se, pois o sacerdote local acabara de praticar um sacrifício e as paredes, assim como os cabelos do sacerdote, estavam ensopados de sangue (e era preceito rigoroso que não se podia limpar-los). O mal-estar deve ter ficado explícito e o sacerdote, convocando um grande número de guerreiros, fez os espanhóis entenderem que não eram bem-vindos: acenderam uma pequena fogueira e deram a entender que se eles não se fossem até o fogo se extinguir, iria haver violência.
 
Cautelosa a tripulação retirou-se e rumou mais para o sul até Champoton
onde desembarcaram pois a provisão de água dos navios se tinha acabado e era necessário renová-la. Tentando encher as suas pipas e vasilhas num poço dos maias, estes os hostilizaram e atacaram por dias a fio, flexando-os à distância do fio das espadas e dos tiros de mosquetes que já não os assustavam.
 
Sem outra alternativa, os espanhóis romperam o cerco e fugiram em direcção aos navios, abandonando as vasilhas de água. Na fuga os batéis emborcaram e os espanhóis seguiram meio a nado, meio agarrados aos escombros, e depois foram resgatados.
 
Da centena de homens do início da expedição, neste embate cinquenta foram mortos e os que não tiveram as suas gargantas cortadas com espadas de madeira encravadas de sílex foram capturados para servirem a futuros sacrifícios
, e todos os demais ficaram feridos à excepção de um único soldado que surpreendentemente saiu ileso.
 
O próprio cronista Bernal Diaz de Castilhos, então com 25 anos, havia levado três flechadas, e o chefe da expedição Hernandes de Córdoba veio a falecer das complicações dos ferimentos daqueles combates.
 
Feitos ao mar sem água potável, com pesadas baixas mas com um punhado de ouro, estes primeiros conquistadores foram o estopim para futuras expedições de outros tantos aventureiros. Assim se iniciava a conquista dos estados maias.
 
Redescoberta dos maias
 
As colónias espanholas americanas estavam muito afastadas do mundo exterior, e as ruínas das grandes cidades antigas eram pouco conhecidas excepto pelos locais. Entretanto, em 1839, o explorador americano John Lloyd Stephens, escutando notícias de ruínas perdidas nas selvas, visitou Copán, Palenque e outras localidades acompanhado do arquitecto e desenhista Frederick Catherwood. O seu diário de viagem ilustrado sobre as ruínas incendiaram um forte interesse pela região e a sua gente promovendo a assimilação do vínculo com a cultura maia entre os dirigentes locais. A maioria da população rural contemporânea da Guatemala e Belize é maia por descendência e idioma primário; em áreas rurais do México ainda existe uma cultura maia.
Fonte: Wikipédia. 

 
 
 
 
 
 

 

 



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