Callado's "Contadora de História"











{novembro 10, 2008}   Império Asteca

Mapa do império asteca no período do seu apogeu, quando Hernán Cortês chegou em 1519.

Certas civilizações do passado costumam exercer grande fascínio nos dias de hoje, atraindo o interesse do público e despertando a nossa imaginação. Exemplo desse fascínio é o fato dessas civilizações continuarem servindo de inspiração para autores de diversas obras de ficção (filmes, livros, histórias em quadrinhos etc.).É o caso, por exemplo, do Império Asteca, geralmente associado a sacrifícios humanos feitos com o objetivo de satisfazer deuses sedentos de sangue.

Além dos sacrifícios humanos, porém, há muitos outros aspectos interessantes da civilização asteca, que era muito mais complexa do que se imaginava.

As principais diferenças entre as pirâmides astecas e as pirâmides egípcias

No Egito Antigo, as pirâmides foram construídas para guardar as tumbas com as múmias e os objetos de valor dos mortos. No Império Asteca, as pirâmides tinham função bem diferente: eram templos com altares onde eram realizadas cerimônias religiosas, sacrifícios humanos especialmente. Daí uma das características que diferenciam as pirâmides astecas das egípcias: a presença de grandes escadarias. Por exemplo, a pirâmide de Tenochtlán, cidade que era a capital do Império Asteca, tinha 114 degraus, todos caiados de branco.

Também conhecida como Templo Maior, essa pirâmide começou a ser construída no ano de 1375. Desde sua construção, a Pirâmide de Tenochtlán foi ampliada diversas vezes, a última delas em 1487, quando, durante quase uma semana, milhares de pessoas foram sacrificadas como oferenda aos deuses. As fontes divergem quanto ao número exato, algumas falam em 3 mil pessoas enquanto outras falam que teriam sido mais de 80 mil. A maior parte dessa obra foi destruída em 1521, após a chegada dos conquistadores espanhóis liderados por Hernán Cortéz.

Suas ruínas, foram descobertas, por acaso, em 1978, na Cidade do México, quando trabalhadores da companhia de energia elétrica encontraram um relevo com a imagem de uma deusa asteca. No topo dessa pirâmide, viam-se dois altares, um em homenagem a Huitizilopchtli, deus do Sol e da guerra, o outro em homenagem a Tláloc, deus da chuva e da fertilidade.

Para a maioria dos arqueólogos e historiadores, as semelhanças entre as civilizações asteca e do Antigo Egito não passam de meras coincidências. Ou seja, o fato de que essas duas civilizações construíram pirâmides e cultuaram deuses ligados ao Sol – Rá, no caso dos egípcios, e Huitizilopchtli, no caso dos astecas – não podem ser entendidas como provas de uma suposta ligação entre essas culturas.

Essas semelhanças são resultado de paralelismo, um fenômeno bastante comum na evolução cultural de diferentes civilizações: povos que jamais mantiveram contato entre si podem desenvolver características semelhantes, desenvolvendo soluções semelhantes para problemas semelhantes. Por exemplo, a maioria das civilizações antigas dependia muito da agricultura, que estava sujeita às mudanças climáticas, períodos de seca, de chuvas etc. Por isso, em várias culturas de diferentes épocas e lugares, encontramos divindades ligadas à chuva, aos trovões e à fertilidade: Zeus, na mitologia grega, Thor, na mitologia nórdica, Tláloc, na mitologia asteca…

egípcios e astecas estavam muito separados no tempo e no espaço: enquanto a civilização egípcia surgiu no norte da África milênios antes de Cristo, o Império Asteca localizava-se na América do Norte e existiu do século 14 ao 16 da nossa Era. O que não impede que escritores de ficção e de livros sensacionalistas aproveitem essas semelhanças para lançar novas obras apresentando a idéia de que os astecas teriam alguma ligação com os antigos egípcios. O que é menos conhecido do grande público são as semelhanças entre a arte – pinturas, esculturas, templos com relevos, colunas com inscrições… – produzida pelos astecas e outras civilizações pré-colombianas, como são chamadas as culturas que já existiam na América antes da chegada de Colombo, com arte produzida por antigas civilizações no Extremo Oriente, especialmente na China e na Índia.

Os astecas tinham conhecimentos de astronomia.  Por meio desses conhecimentos que os astecas puderam elaborar um calendário solar. Esse calendário era tão preciso que os historiadores, ao lerem textos astecas escritos antes da chegada dos espanhóis, podem saber em que ano exatamente ocorreu determinado fato. Por exemplo, sabemos que Tenochtlán, capital do Império Asteca, foi fundada ano do calendário asteca que corresponde ao nosso ano de 1325. No entanto, os conhecimentos astronômicos dos astecas estavam muito mais ligados ao que hoje chamamos de astrologia (a crença de que os astros influenciam no destino das pessoas) do que com a astronomia propriamente dita (o estudo científico dos astros).

Isso se deve ao fato de que a religião dos astecas era astral, isto é, baseava-se nos astros. Vale lembrar que os astecas entraram em contato com outros povos vizinhos e absorveram muitos elementos das culturas desses povos. Os maias, por exemplo, que viveram na península de Iucatã [região que hoje corresponde à Guatemala, Honduras e Belize], tinham astrônomos que previam com precisão os eclipses do Sol, descreviam as fases do planeta Vênus e elaboravam calendários. Embora os maias tenham, por razões que ainda permanecem misteriosas, abandonado suas cidades a partir do ano 900, muito antes do surgimento do Império Asteca, eles influenciaram os povos da região, espalhando seus conhecimentos.

Para compreender os sacrifícios humanos na religião asteca, é preciso conhecer a visão que os astecas tinham do mundo. Eles acreditavam que antes da criação deste mundo, existiram outros quatro, que foram destruídos em catástrofes como dilúvios, terremotos e “chuvas de fogo”. Segundo essa crença, este mundo também estaria fadado a ser destruído e substituído por outro. Para os astecas, portanto, tudo acontecia em ciclos que se repetiam: tudo o que acontece é uma repetição do que já aconteceu antes e se repetirá no futuro, este mundo foi criado e será destruído como aconteceu com os mundos anteriores e acontecerá com os mundos que surgirão depois deste. Para evitar esse destino, os astecas acreditavam que era necessário oferecer sangue humano para os deuses. Afinal, segundo a crença dos astecas, os deuses também deram o sangue deles.

O mito de Quetzacoatl, deus com a aparência de uma serpente de plumas. Segundo o mito, no passado, Quetzacoatl tirou ossos do inferno e regou-os com o seu próprio sangue concedendo-lhes vida. Assim, para os astecas, os seres humanos descendiam desses ossos que foram regados pelo sangue de Quetzacoatl. Quem teria imposto os sacrifícios humanos foi Tezcatlipoca, deus da noite, que teria expulso Quetzacoatl da cidade de Teotihuacán.

As guerras desempenhavam importante papel na religião dos astecas, pois os prisioneiros de guerra eram sacrificados nas cerimônias religiosas. Por isso, do ponto de vista dos astecas, era mais interessante aprisionar os inimigos para sacrificá-los depois, do que matá-los em combate. Com as conquistas de novos territórios pelos astecas, as guerras se tornaram mais raras. Para resolver o problema e obter novos prisioneiros de guerra para os sacrifícios, a solução encontrada pelos sacerdotes astecas foi a “guerra florida”: torneios organizados com regras a serem cumpridas por todos os participantes. O resultado dos combates era interpretado como a expressão da vontade dos deuses: aqueles que fossem derrotados deveriam ser sacrificados para o deus Huitizilopchtli, deus do Sol e da guerra.

O costume asteca de realizar sacrifícios humanos revoltou os conquistadores espanhóis. No entanto, vale lembrar, a violência não era exclusiva dos astecas: os espanhóis que se revoltaram com os sacrifícios humanos tinham vindo da Espanha na mesma época em que os tribunais da Inquisição ordenavam torturas e condenaram pessoas à fogueira.

Os astecas eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses. No início, a religião dos astecas era muito simples, mas foi se tornando mais complexa quando eles foram entrando em contato com outros povos vizinhos, dos quais forma incorporando novos elementos. A lista de divindades cultuadas pelos astecas era bastante extensa. Seria praticamente impossível e sem propósito, falar a respeito de cada uma delas aqui.

Quetzacoatl, a serpente de plumas, no início, era uma divindade que representava a fertilidade e, com o passar do tempo, se transformou, passando a representar as idéias de morte e ressurreição; Tezcatlipoca, deus da noite, era invisível e sedento por sangue humano; Tláloc, deus que trazia tanto a chuva, que tornava os campos férteis, quanto o trovão e o granizo; Huitizilopchtli, deus guerreiro que representava o Sol do meio-dia; Xipe-Totec, divindade dos ourives, e que se revestia com a pele de um homem esfolado.

Como e quando surgiu a civilização asteca?

Pouco se sabe a respeito dos primeiros tempos desse povo. Na verdade, o povo que chamamos de “asteca” chamava a si mesmo de “mexica” e era chamado pelos espanhóis de “mexicas”. A palavra “asteca” surgiu de aztecatl, que na língua nativa falada pelo povo Mexica designava os que vinham de Aztlán, lugar que, segundo a lenda, era a terra natal do povo mexica. A partir do século 19, autores europeus começaram a usar o termo “asteca”, que também foi incorporado por historiadores mexicanos para distinguir os habitantes do que hoje corresponde ao México antes da chegada dos espanhóis dos habitantes do México atual. Hoje, o termo “asteca” geralmente é usado para designar todos os habitantes do império fundado pelo povo mexica.

O que se sabe sobre a origem dos astecas?

Segundo a maioria dos historiadores, os astecas deixaram sua região de origem por volta do século 12. Após uma longa caminhada, teriam chegado ao vale de Anahuac (atual vale do México), que era bastante fértil, e ocuparam as ilhas a oeste do lago Texcoco, pois as do lado leste já eram habitadas. Há controvérsias quanto ao local de origem desse povo: a maioria dos estudiosos acredita que o mais provável era o norte do vale do Anahuac (atual Vale do México), outros acreditam que o local de origem dos astecas ficava ainda mais ao norte, no que hoje é o sudoeste dos Estados Unidos. Entretanto, outros estudiosos acreditam que Aztlán não passa de um lugar mítico. Seja como for, na época da chegada dos astecas ao vale, existiam várias cidades-Estado. Nessa época, eles absorveram muitos elementos da cultura dos habitantes da cidade-Estado de Culhuacán.

Que momento pode ser considerado um marco decisivo para essa civilização?

Em 1325, os astecas ou mexicas fundaram a cidade de Tenochtlán. A primeira construção da cidade foi o templo, ao redor do qual construíram-se casas, palácios e mercados. Conforme a cidade cresceu, os astecas passaram a atacar e dominar outras povos da região, dentre os quais, os toltecas e os olmecas. O que se tornou conhecido como Império Asteca nasceu da aliança de Tenochtlán com outras duas cidades: Texcoco e Tlacopán.

Existe semelhança entre o modo de os astecas estabelecerem seu império e outros impérios do mundo antigo?

Geralmente, para evitar guerra e destruição, ao chegarem à uma cidade que pretendiam dominar, os astecas propunham que o povo do lugar se rendesse sem resistência. A razão disso era muito simples: o Império Asteca sobrevivia dos impostos cobrados nas cidades dominadas, como esses impostos não eram na forma de dinheiro, mas de produtos (peças de algodão; ouro em pó; artesanato; cogumelos alucinógenos…), não interessava aos astecas que as cidades que eles pretendiam dominar fossem destruídas.

Quantas pessoas viviam no Império asteca na época em que os espanhóis chegaram?

Não se sabe o número exato de habitantes do Império asteca naquela época, mas uma coisa é certa: para os padrões de então, a população do Império era numerosa. Estima-se que, antes da chegada dos espanhóis, havia cerca de 15 milhões de habitantes. Nos anos de 1520 e 1521, o número de habitantes caiu para cerca de quatro milhões, a principal causa dessa queda foi uma epidemia de varíola (o que facilitou a conquista pelos espanhóis). Mas mesmo com essa queda, a população do Império asteca ainda era numerosa se comparada com a de outros países na mesma época. Só para se ter uma idéia, em Tenochtán, viviam cerca de 250 mil pessoas, ou seja, a capital do Império asteca tinha mais habitantes do que várias cidades européias na mesma época, dentre as quais, Londres e Madri. Após a chegada dos espanhóis, houve uma drástica queda na população que habitava os territórios do que havia sido o Império Asteca: em 1581, a população indígena era inferior a dois milhões de habitantes. Essa queda vertiginosa da população foi decorrente da violência da conquista espanhola, que veio acompanhada de fome e doenças.

Quais eram os principais grupos que formavam a sociedade asteca?

A sociedade asteca era bastante hierarquizada. As roupas indicavam a posição social da pessoa. Quem governava era o imperador chamado de tlatoani (palavra que significava “aquele que fala” ou “aquele que comanda”). No início, o tlatoani era eleito por uma assembléia de guerreiros, mas, com o tempo, a função passou a ser hereditária, isto é, passava de pai para filho. Entre as responsabilidades do imperador estava a de fornecer alimentos para a população necessitada em períodos de seca ou carestia. Havia também uma espécie de “vice-imperador”, o cinacoatl, cargo que era geralmente exercido por um irmão do imperador.

O que vinha abaixo deles?

Os nobres, grupo do qual faziam parte funcionários públicos encarregados da administração, sacerdotes e líderes militares. Geralmente, esses nobres eram parentes do imperador. Entre as tarefas dos sacerdotes, que eram celibatários [não podiam se casar], estava cuidar dos tempos, consultar os astros e guardar manuscritos. Embora não tivessem tarefas administrativas ou militares, os sacerdotes eram um grupo privilegiado, pois, assim como os outros nobres, eles também não eram obrigados a pagar impostos.

E abaixo dos nobres?

Abaixo dos nobres, estavam os comerciantes e artesãos que passavam o ofício de pai para filho. Entre os artesãos havia ourives, joalheiros e os que trabalhavam com plumas. Cada grupo de artesãos era obrigado a pagar um imposto, que consistia em entregar parte do que produzia. Apesar disso, eram bem remunerados e muito respeitados. Um dos privilégios dos artesãos é que eles estavam dispensados do trabalho obrigatório nas obras públicas (construção de pontes e templos etc.). Por sua vez, os comerciantes estavam divididos em dois grupos: o comércio local estava nas mãos das pessoas de origem humilde, enquanto o comércio exterior de artigos de luxo estava nas mãos dos grandes comerciantes. Esses grandes comerciantes ocupavam uma posição privilegiada na sociedade asteca, abaixo apenas da nobreza, e tinham um papel importante no expansionismo asteca: ao visitarem as cidades que os astecas pretendiam dominar, eles passavam aos líderes militares astecas informações valiosas a respeito das condições de defesa dessas cidades.

Quem constituía a base da pirâmide social?

Os maceualtin eram os cidadãos comuns, que constituíam a maioria da população. Os que eram agricultores não trabalhavam apenas nas terras para sua própria subsistência, mas também nas terras destinadas ao abastecimento dos nobres. Os maceualtin eram obrigados a trabalhar nas obras públicas. Também podiam ser obrigados a prestar o serviço militar, que, diga-se de passagem, era uma das poucas formas disponíveis de um cidadão comum ascender na sociedade asteca.

Existiam escravos entre os astecas?

Havia a classe dos tlatlacotin, que era formada por prisioneiros de guerra, condenados pela justiça civil, pessoas com dívidas de jogo ou arruinadas pela bebida e estrangeiros, remanescentes de povos que foram conquistados ou dizimados pelos astecas. A palavra tlatlacotin costuma ser traduzida por “escravos”, mas o termo é inexato. Para saldar uma dívida, eles podiam trabalhar para um senhor. Essa relação estava mais próxima da servidão do que da escravidão por dívidas, pois os tlatlacotin podiam morar em suas próprias residências, no caso dos homens, podiam se casar com mulheres livres, e seus filhos eram considerados livres.

Hernán Cortéz e o Império Asteca

Antes da chegada de Colombo à América, os astecas já haviam criado um dos maiores impérios que o continente americano conheceu até então. Esse poderoso império se mantinha com os altos impostos arrecadados entre os vários povos vizinhos que estavam sob seu domínio.

Em 1519, quando os soldados espanhóis, liderados pelo oficial Hernán Cortéz (1485-1547), chegaram pela primeira vez ao que hoje é o México, eles, os espanhóis, não passavam de um grupo com apenas pouco mais de quinhentos homens. No entanto, isso não impediu que, em um tempo relativamente curto, eles derrotassem e conquistassem o então poderoso Império Asteca, cuja capital, Tenóchtilán, era mais populosa que qualquer grande cidade européia na mesma época.

Apesar de estarem em número muito inferior ao dos astecas, os espanhóis saíram vitoriosos. A história da conquista do Império Asteca costuma despertar a seguinte pergunta: “Como tão poucos homens conseguiram vencer e conquistar um império?” Vamos tentar respondê-la.

Armas superiores

Os espanhóis possuíam armas de fogo (mosquetes, canhões, arcabuzes, bacamartes…), algo de que os astecas não dispunham. Sem dúvida, as armas de fogo usadas pelos espanhóis tinham grande poder destrutivo e de intimidação. No entanto, esse fato não é suficiente para explicar a derrota dos astecas para os espanhóis.

Se comparadas às armas de fogo dos dias de hoje, as daquela época apresentavam uma série de desvantagens: enguiçavam com facilidade (uma arma podia até estourar nas mãos de seu dono, ferindo-o); não funcionavam debaixo da chuva; eram difíceis de recarregar (a troca de munição era uma tarefa demorada e complicada) e não tinham o mesmo poder de precisão que as flechas usadas pelos inimigos.

O exército liderado por Cortéz contava com apenas quatorze canhões, que também eram pouco eficazes se comparados aos atuais e apresentavam os mesmos riscos que as espingardas e arcabuzes. Portanto, Cortéz e seus homens nem sempre podiam contar com essas armas de fogo. Muitas vezes, para os soldados espanhóis, a habilidade como espadachim podia ser mais importante na decisão de uma luta.

Cavalos supreendem os astecas

Sabe-se que os espanhóis surpreenderam os indígenas ao aparecerem montados em cavalos, animais que eram desconhecidos na América até então. Mas, passada a surpresa inicial, os indígenas deixavam de ver os cavalos com estranheza. Sem dúvida, o uso dos cavalos oferecia várias vantagens no campo de batalha: os cavaleiros espanhóis podiam atacar e se mover com mais velocidade que os guerreiros astecas que lutavam a pé.

No entanto, o exército de Cortéz dispunha de pouquíssimos cavalos: apenas dezesseis. Ou seja, uma quantidade muito pequena para considerar o uso dos cavalos como um dos principais fatores para a derrota dos astecas.

Os astecas construíram e mantiveram seu império fazendo uso de extrema violência. Atacaram e dominaram diversos povos vizinhos, dos quais cobravam altos impostos. Prisioneiros de guerra ou habitantes dos territórios conquistados eram sacrificados nos altares dos templos astecas.

Por isso, não é de surpreender que os astecas tivessem vários inimigos dentro do seu próprio império. Cortéz percebeu as divisões que existiam dentro do Império Asteca e soube tirar proveito do rancor que esses povos dominados tinham em relação aos dominadores.

Sem a ajuda desses aliados, Cortéz jamais ou muito dificilmente teria conseguido vencer os astecas. Assim, estima-se que o exército liderado por Cortéz, que contava com poucas centenas de homens, foi reforçado com o apoio de mais de milhares de guerreiros indígenas.

Inicialmente, os espanhóis foram vistos por esses povos aliados como libertadores, como aqueles que iriam libertá-los do domínio asteca. Após a derrota dos astecas, esses povos perceberam que apenas haviam trocado de senhor: deixaram de serem dominados pelos astecas para serem dominados pelos espanhóis.

Doenças

Sem dúvida, as doenças trazidas pelos espanhóis contribuíram para a derrota do Império Asteca. Dentre essas doenças estavam o sarampo, a gripe (para a qual, os indígenas do continente americano não possuíam anti-corpos) e a varíola, que se tornou uma epidemia no Império Asteca na época da chegada dos espanhóis. O último imperador asteca foi vítima da varíola: reinou apenas oitenta dias e morreu da doença.

Nesse sentido, involuntariamente, os espanhóis foram uma espécie de “precursores da guerra bacteriológica”. As doenças que eles trouxeram se constituíram em verdadeiras “armas biológicas”, dizimando grande parte da população indígena.

No entanto, as doenças não podem ser consideradas a mais importante causa da derrota dos astecas. Afinal, se os astecas não tinham defesas para essas doenças, os indígenas que se aliaram aos espanhóis também não tinham. As doenças que os espanhóis trouxeram vitimavam tanto inimigos, quanto aliados.

Informação: arma poderosa

Numa guerra, a informação pode ser a arma mais valiosa. Conhecer bem o inimigo costuma ser uma grande vantagem estratégica. Os espanhóis obtiveram essa vantagem em relação aos astecas e souberam explorá-la muito bem. Cortéz contou com a ajuda de guias e intérpretes, por meio dos quais, obteve muitas informações a respeito da situação do Império Asteca.

Antes de chegarem ao México, Cortéz e seus soldados estavam em Cuba. Isso porque a colonização espanhola em terras americanas teve início nas ilhas do Caribe e das Bahamas. Como havia ouro nessas ilhas, os espanhóis acreditavam que esse metal deveria existir em grande quantidade em todo o continente americano. Assim, Cortéz partiu de Cuba e desembarcou no litoral do que hoje é o México.

Pouco após a sua chegada, encontrou duas pessoas que lhe foram muito úteis: Jerônimo Aguilar, um náufrago espanhol, e Malinche, uma jovem indígena. Aguilar havia sido prisioneiro dos maias na península de Yucatán e conhecia a língua maia, que era um dos idiomas falados no Império Asteca.

Malinche era uma das vinte jovens prisioneiras que foram oferecidas como presente pelos indígenas a Cortéz quando ele chegou a Tabasco, uma das várias províncias do Império Asteca. Ela odiava os astecas, de quem pretendia se vingar. Não se sabe ao certo a qual povo específico Malinche pertencia, mas é provável que fosse de origem nahua, povo que habitava a região central do México e que, provavelmente, se originou no que hoje é o sudoeste dos Estados Unidos.

A destruição do Império Asteca pelos espanhóis

Segundo um cronista da época, Bernal Díaz Del Castillo, Malinche teria sido a filha de um nobre, nascida numa região onde era a “fronteira” entre o Império Asteca e os Estados maias na Península do Yucatán. Ela conhecia tanto a língua maia quanto o nahuatl, idioma que era falada tanto pelos nahuas quanto pelos astecas.
Assim, ela e Aguilar serviram de intérpretes para Hernán Cortéz. Malinche traduzia do nahuatl para o maia, que, só então, era traduzido para o espanhol por Aguilar. Isso era necessário porque Malinche não havia ainda aprendido a falar espanhol e porque, embora Aguilar falasse o maia, ele não falava o nahuatl. Mais tarde, Malinche aprendeu também a falar o espanhol.

Ela logo trocou o nome para Marina, converteu-se ao catolicismo e tornou-se a companheira de Cortéz. Malinche teve um papel muito importante na conquista do México, pois ela se tornou o principal braço direito do comandante dos conquistadores, servindo de guia e de intérprete.

Sua figura ainda é alvo de controvérsias no México. Para muitos, ela não passou de uma traidora, por ter ajudado os espanhóis, daí a expressão “malinchista”, usada no México nos dias de hoje para acusar alguém de “traidor da pátria”.

Cortéz e Malinche: os “pais do México”

Cortéz e Malinche costumam ser considerados os “pais” do México, no sentido de que a união deles representou o nascimento de uma nação mestiça. De fato, Cortéz e Malinche tiveram um filho: Martín Cortéz (1523-1568), que viveu à sombra de seu meio-irmão, também chamado Martín Cortéz (1533-1589). Por ser mestiço, era tratado como um cidadão de segunda classe no México dominado pela Espanha, vivendo como uma espécie de serviçal do irmão homônimo e mais novo, cuja mãe era a espanhola Juana de Zuñiga.

Com a ajuda de guias e intérpretes, Cortéz logo teve acesso a uma informação das qual soube tirar muito proveito: de que ele estaria sendo confundido com um deus asteca, Quetzacoatl. Na visão dos astecas, a chegada de Cortéz significava a realização de uma profecia, segundo a qual, Quetzacoatl retornaria e assumiria o trono em Tenochtitlán (ao que tudo indica, essa profecia foi feita após a chegada dos espanhóis, como uma forma de tentar explicar a chegada daqueles homens que eram tão estranhos para os astecas).

Por isso, quando chegou à Tenochtitlán em novembro de 1519, Cortéz, que vinha acompanhado dos soldados espanhóis e de milhares de guerreiros indígenas aliados, recebeu as boas vindas de Montezuma 2º, o imperador asteca. O próprio Montezuma 2º teria acreditado que Cortéz fosse mesmo o deus Quetzacoatl.

Porém, pouco tempo depois, o imperador asteca percebeu que estava equivocado a respeito de Cortéz. Já era tarde demais. Montezuma foi feito prisioneiro pelos espanhóis, que logo começaram a tomar todos os objetos de ouro dos astecas.

Fim do Império Asteca

Os espanhóis permaneceram durante muitos meses em Tenochtitlán. Quando Cortéz precisou se ausentar da cidade, Pedro de Alvarado, seu substituto no comando das tropas, aproveitou-se da ausência do líder e ordenou o massacre de milhares de astecas que estavam reunidos no interior do Templo Maior, durante a festa de Tóxcatl.

Esse episódio ficou conhecido como “Noite Triste” e marcou o início da guerra entre astecas e espanhóis. Quando retornou, Cortéz não conseguiu conter os ânimos dos astecas. Os espanhóis e seus aliados indígenas se viram obrigados a fugir e buscaram refúgio em Tlaxcala, cidade onde viviam os principais inimigos dos astecas.

Diferentemente de outras cidades da região, Tlaxcala jamais se submeteu ao controle do Império Asteca. Por causa do seu apoio aos espanhóis, Tlaxcala acabou conquistando uma posição relativamente privilegiada durante o domínio colonial da Espanha no México. Cortéz buscou reforços na Espanha e entre os povos indígenas inimigos dos astecas.

Assim, ele conseguiu reunir um exército formado por milhares de guerreiros indígenas e cerca de 900 soldados espanhóis. Acompanhado desse exército e munido de canhões, Cortéz sitiou a capital asteca. Em 13 de agosto de 1521, após os astecas resistirem durante 75 dias, o último imperador asteca, Quatemozin (também chamado de Guatemozin), sucessor de Montezuma 2º foi obrigado a render-se aos espanhóis. Era o fim do Império Asteca.

Mundos diferentes

A derrota dos astecas para os espanhóis não pode ser explicada por um único fator apenas. Na verdade, ela é o resultado da combinação de uma série de fatores. Os dois mais importantes foram o fato de Cortéz ter conseguido aliados entre as populações indígenas e o fato de que ele estava bem informado a respeito do seu inimigo.

Curiosamente, enquanto Cortéz sabia muito a respeito dos astecas, Montezuma 2º pouco sabia a respeito dos espanhóis. Isso se devia ao fato de que astecas e espanhóis viviam em “mundos mentais” diferentes, tinham concepções de mundo diferentes. Enquanto, Cortéz valorizava a informação a respeito dos inimigos, recompensando seus informantes, o imperador asteca punia aqueles que lhe traziam notícias desfavoráveis.

Para o imperador asteca, os espanhóis eram imprevisíveis, pois não se encaixavam em nenhum dos modelos que conhecia: os astecas guerreavam seguindo regras de combate pré-estabelecidas, como em um torneio, enquanto os espanhóis usavam de todos os meios para surpreender o inimigo. Além disso, os astecas tinham uma visão cíclica da história, acreditavam que tudo ocorre em ciclos, que se repetem regularmente.

Os astecas acreditavam que antes de este mundo ser criado, outros mundos existiram, tendo sido criados e destruídos. Quando algo novo ocorria, os astecas procuravam de algum modo encaixar isso em profecias. Por isso, ao que tudo indica várias das profecias feitas a respeito da volta de Quetzacoatl foram feitas após a chegada dos espanhóis e não antes.

Criar profecias a respeito daquilo que já aconteceu seria uma maneira de aceitar e superar psicologicamente o passado. Como se vê, os astecas concebiam a realidade como algo rígido e imutável, enquanto os espanhóis tinham mais facilidade de improvisação e de se adaptarem a novas circunstâncias.

 

Fonte: Túlio Vilela, formado em história pela USP, é professor da rede pública do Estado de São Paulo e um dos autores de “Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula” (Editora Contexto). Pedagogia & Comunicação



{Josy} ''Na Pegada''!! says:

Bom ……..
Gostei muito deste assunto pois eu aprendi mais coisas e minha pró vai passar trabalhos e eu vou procurar neste site que eu amei tudo explicadoo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Obrigada pela ATENÇÃO !!!!!
Tchau!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



joissikinha says:

Adoreiiiiiiiiiiiii



alexandre Jorge says:

Gostei muito do seu trabalho.
Passei a conhecer e me interessar um pouco mais pelo assunto.



vanessa says:

gostei muito,muito mesmo me ajudou a fazer um
trabalho
que nem eu pensava que eu iria fazer
valeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu



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