Callado's "Contadora de História"











{agosto 19, 2008}   O REINO PERDIDO DE CAIM – “Lenda dos povos Andinos no México”

As calçadas amplas, largas, que conectavam a cidade à terra firme impressionaram enormemente os conquistadores assim como as numerosas canoas nos canais, as ruas inundadas de gente, os mercados repletos de mercadores e mercadorias de todo o reino.

O palácio tinha numerosas dependências plenas de riquezas, rodeado de jardins onde havia um viveiro de aves e um zoológico. Uma grande praça funcionava como área de laser, cenário de festas e desfiles militares.

Mas o coração da capital e do Império era seu imponente centro religioso; um imenso retângulo de quase 100m² rodeado por um muro trabalhado para proporcionar o aspecto de serpentes retorcidas. Havia numerosos edifícios dentro deste recinto sagrado. Os mais destacados eram o Grande Templo, com suas duas torres e o templo parcialmente circular de Quetzalcóatl.

Atualmente, a Grande Praça ― el Zócalo ― da Cidade do México e a catedral ocupam parte daquele antigo recinto sagrado. Depois de uma escavação em 1978, agora é possível ver e visitar uma parte importante do Grande Templo e nas últimas décadas, descobriu-se o suficiente para fazer uma reconstrução do prédio tal como era em seus tempos gloriosos.

O Grande Templo tem a forma de uma pirâmide escalonada elevando-se, piso após piso, até uma altura em torno de 50 metros, com uma base de 45×45m. No total eram sete plataformas se sobrepondo umas as outras e todo o edifício era construído sobre outra, menor e ainda mais antiga. Camada por camada, os arqueólogos os arqueólogos descobriram o Templo II, construído em torno de 1.400 d.C., com duas torres gêmeas em sua cúspide.

Simbolizando um curioso culto duplo, a torre do lado norte era um santuário dedicado a Tlaloc, deus das tormentas e dos terremotos. A torre sul era dedicada à divindade tribal asteca Huitzlopochtli, deus da guerra, representado habitualmente com uma arma mágica chamada Serpente de Fuego, com a qual havia derrotado 400 deuses menores. Duas escadas monumentais levavam até a cúspide da pirâmide pelo lado ocidental; uma para cada torre. Ambas estavam decoradas em sua base com duas ferozes cabeças de serpente de pedra, sendo uma delas a Serpente de Fogo de Huitzilopochtli e a outra, a Serpente de Água, símbolo de Tlaloc.

Na base da pirâmide encontra-se um disco de pedra, grande e grosso, em cuja parte superior foi talhada uma representação do corpo desmembrado da deusa Coyolxauhqui. Segundo a tradição popular asteca, ela era irmã de Huitzilopochtli e teve uma séria desavença com ele porque se envolveu na revolta dos 400 deuses. Seu destino foi uma das origens da crença asteca de que “havia de se aplacar a fúria de Huitzilopochtli com a oferenda de corações de vítimas humanas.

O motivo [arquitetônico] das torres gêmeas foi utilizado também na edificação do templo de Quetzalcoalt, que tem a forma pouco habitual de uma pirâmide escalonada retangular, na frente e, atrás, uma estrutura escalonada circular de onde seguia elevando-se até converter-se em uma torre circular com cúpula cônica. Muitos crêem que esse templo servia de observatório solar.

ESPANHA, AMÉRICA E EGITO

A.F. Aveni (Astronomy in Ancient Mesoamerica) concluiu, em 1974, que nos dias dos equinócios (21 de março e 21 de setembro), quando o sol se levanta no leste exatamente sobre o Equador, o nascer do sol podia ser viso da Torre de Quetzalcoalt justamente entre as torres da cúspide do Grande Templo. Ainda que os espanhóis não se dessem conta dos detalhes sofisticados da arquitetura asteca, as crônicas que deixaram falam de seu assombro por encontrarem uma terra com um povo civilizado, com uma cultura, em muitos pontos, similar à espanhola.

Do outro lado do que fora um “oceano proibido”, que se acreditava completamente asilado do mundo civilizado, havia um Estado governado por um rei, tal como na Espanha. Nobres, funcionários e cortesãos compunham a corte real. Havia emissários que iam e vinham. Havia um sistema tributário; os impostos eram cobrados das tribos vassalas e dos fiéis cidadãos. Nos arquivos reais se conservavam registros escritos da riqueza, das dinastias e histórias tribais. Havia um exército com um comando hierárquico.

Também existiam artes e ofícios, música, dança. Festividades relacionadas com as estações e dias sagrados prescritos pela religião; uma religião de Estado, como na Espanha. O centro religioso, com seus templos, capelas e residências era rodeado por um muro, como o Vaticano, em Roma, controlado por uma hierarquia de sacerdotes que eram os guardiões da fé e do conhecimento científico. Entre estes, destacavam-se a astronomia, a astrologia e os mistérios dos calendários, que eram fundamentais.

Alguns cronistas da época, constrangidos com a imposição do colonialismo àqueles que deveriam ser índios selvagens, atribuíram a Cortes uma reprimenda a Montezuma por adorar “ídolos que não são deuses, antes, são demônios malignos”, uma influência nefasta que, supostamente, Cortes se oferecia para combater construindo, em cima da pirâmide, um santuário com uma cruz “e a imagem de Nossa Senhora” (BERNAL DIAZ DEL CASTILLO, Historia Verdadera).

Para assombro dos espanhóis, o símbolo da cruz já era conhecido dos astecas, que o tinham como um símbolo de significado celestial e figurava como emblema do escudo de Queztacoalt [fig. abaixo]. Além disso, em meio ao labiríntico panteão de numerosas divindades podia-se distinguir a crença subjacente em um Deus Supremo, um Criador de Tudo. Algumas das orações dirigidas a esse Deus pareciam mesmo familiares, como na oração asteca abaixo, conservada em espanhol a partir da língua original, náhuatl.

Contudo, ainda que tivessem muitas semelhança, existia uma diferença. Não era somente a idolatria ou o costume bárbaro de arrancar os corações dos prisioneiros e oferecê-los, ainda palpitando, a Huitzilopochtli ― uma prática introduzida pelo predecessor de Montezuma, já em 1486. Era o tipo de desenvolvimento daquela civilização, que mostrava um espécie de “progresso controlado”, um verniz de cultura, a imitação de uma matriz superior, como cobertura de luxo sobre conteúdo ordinário.

Os edifícios impressionantes eram genialmente desenhados mas não se construíam com pedras talhadas; a técnica era pouco mais do que a usada em simples construções de adobe. Os blocos, gigantescos, eram fixados com simples argamassa. O comércio era amplo porém era essencialmente baseado em escambo, sistema de troca. Não havia dinheiro. Os impostos eram pagos em espécie, produtos e serviços pessoais.

Os tecidos eram feitos em teares rudimentares. Fiava-se o algodão em fusos de argila, similares ao encontrados no velho mundo, nas ruínas de Tróia (segundo milênio a.C.) e em alguns lugares da Palestina (terceiro milênio a.C.). Tanto em suas ferramentas como em suas armas, os astecas estavam na idade da pedra, inexplicavelmente desprovidos de instrumentos de metal, apesar de conhecerem o ofícios da metalurgia e joalheria da ourivesaria. Para cortar utilizavam fragmentos de obsidiana parecidos com o cristal ― uma dos objetos comuns da época era a lâmina de obsidiana, que usavam para arrancar os corações dos prisioneiros.

Devido ao fato de outros povos da América não conheceram a escrita, os astecas pareciam mais avançados, ao menos neste aspecto, posto que tinham seu sistema de escrita. Mas não era um sistema alfabético nem tão pouco fonético; consistia em uma série de imagens, como as seqüências de desenhos das histórias em quadrinhos.

No Oriente Próximo da antiguidade, onde a escrita apareceu há 5 mil anos em forma de pictogramas, estes se estilizaram com rapidez até converter-se na escrita cuneiforme; avançaram para uma escrita fonética, onde os signos representavam sílabas e, ao final do segundo milênio a.C., apareceu um alfabeto completo. A escrita pictográfica apareceu no Egito quando se instaurou a realeza, em 3.100 a.C. e rapidamente evolucionou para o sistema hieroglífico.

Estudos dos especialistas, como Amelia Hertz (Revue Symthése Hiestorique vol. 35), chagaram à conclusão que a escrita por imagens dos astecas, em 1500, era similar à primitiva escrita egípcia, como a tabuleta de pedra do rei Narmer, que alguns consideram o primeiro rei dinástico egípcio – 4.500 a.C.. Hertz aponta outra curiosa analogia entre o México dos astecas e o Egito das primeiras dinastias: em ambos, apesar da metalurgia do cobre não ter se desenvolvido, a ourivesaria estava tão avançada que os ourives podiam engastar turquesas (pedra muito valorizada também no Egito) nos objetos de ouro.

O Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México ― certamente um dos melhores do mundo em seu campo ― expõe o legado arqueológico do país em um edifício em forma de U. Em uma série de salas ou seções interconectadas, o visitante é levado através do tempo e do espaço, desde as origens pré-históricas até a época dos astecas. A seção central dedicadas aos astecas é o coração e o orgulho da arqueologia nacional mexicana. “Asteca” foi um nome que deu àquele povo modernamente; a si mesmos chamavam-se mexica, dando assim, seu nome preferido não somente à capital (construída onde havia o estado de Tenochtitlán asteca) mas a todo o país.

A sala Mexica, como se chama, é classificada pelo próprio museu como “a sala mais importante… Suas grandiosas dimensões foram projetadas para destacar suficientemente a cultura do povo mexicano.” Entre suas monumentais esculturas se inclui o Calendário de Pedra, que pesa 25 toneladas e enormes estátuas de deuses e deusas. Efígies menores, de pedra e argila, utensílios de louça, armas, ornamentos de ouro e outros objetos astecas completam a impressionante sala.

O contraste entre primitivas peças de argila e madeira e efígies grotescas e as poderosas pedras talhadas do monumental recinto sagrado, é assombroso. É inexplicável essa disparidade em quatro séculos de presença asteca no México. Como se podem justificar as diferenças entre duas civilizações tão próximas? Quando se busca uma resposta na história conhecida, os astecas aparecem como um povo nômade, mera tribo de migrantes que se introduziu em um vale povoado por tribos de uma cultura mais avançada.

A princípio, ganhavam a vida servindo às tribos ali estabelecidas; os astecas eram mercenários mas começaram a impor-se às outras nações, tomando sua cultura emprestada e também suas técnicas. Mesmo sendo seguidores de Huitzilopochtli, adotaram o panteão dos vizinhos, incluindo o deus das tempestades Tláloc e o benévolo Quetzacóalt, deus dos ofícios, da escrita, das matemáticas e do cálculo do tempo.

AZT-LAN

Mas as lendas, que os estudiosos chamam “mitos migratórios”, situam os acontecimento sob uma luz diferente, começando pelo relato de uma época muito mais antiga. As fontes de informação vêm da tradição oral e de diversos livros chamados códices. Estes, como o Códice Boturini, dizem que a terra ancestral da tribo asteca se chamava Azt-Lan (Lugar Branco).

Aquele era o lugar do primeiro casal patriarcal, Itzac-mixcóalt (Branca Serpente de Nuvem – Blanca Serpiente Nube) e sua esposa Ilan-cue (vieja Mujer – Velha Mulher); eles engendraram os ancestrais das tribos de fala náhuatl, entre as quais encontram-se os astecas. Os toltecas também era descendentes de Itzac-mixcóalt, mas sua mãe era outra mulher. Toltecas eram, portanto, irmãos dos astecas.

Onde estava situado Aztlán ninguém sabe com certeza. Dos numerosos estudos que tratam desse assunto (entre os quais se incluem teorias de que se tratava da legendária Atlântida) um dos melhores é o de Eduard Seler ― Wo lag Aztlan, die Heimat der Azteken? ― Aztlan era um lugar relacionado ao número sete e, em temposidos, havia se chamado Aztlán de Las Siete Cuevas. Também era descrito nos códices como um lugar reconhecível por seus sete templos: uma grande pirâmide escalonada central rodeada por seis santuários menores.

Em sua elaborada História das Coisas de Nova Espanha, frei Bernardino de Sahagún, usando textos originais na língua nativa ― nahualt, escritos depois da Conquista, fala da muiti-tribal migração desde Aztlán. No total, foram sete tribos que deixaram Aztlán em barcos. Os livros ilustrados mostram as tribos passando junto a um marco cujo pictograma é um enigma. Sahágun relaciona vários nomes para as estações do caminho, chamando o lugar de desembarque de Panotlán, que significa “lugar de chegada por mar”, que os especialistas concluíram que é a atual Guatemala.

TENOCHTLÁN

Junto com as tribos viajavam quatro homens sábios para guiarem o povo. Estes sacerdotes levavam consigo manuscritos rituais e conheciam também os segredos do calendário. As tribos se encaminharam para o Lugar da Serpente-Nuvem, onde se dispersaram. Por fim, astecas e toltecas chegaram a um lugar chamado Teotihaucán, onde construíram suas pirâmides, uma para o Sol, outra para a Lua.

Os reis que governaram Teotihaucán foram enterrados ali pois ser enterrado em Teotihaucán era reunir-se com os deuses na outra vida. Não está claro o tempo que se passou até que, novamente, para uma outra viagem migratória mas, em algum momento, as tribos começaram a abandonar a cidade sagrada. Os primeiros foram os toltecas, que se foram para construir sua própria cidade, Tollan. Os últimos a partir foram os astecas. Suas andanças os levavam para vários lugares, mas não encontravam descanso. Durante o tempo de sua última migração, seu líder recebeu o nome de Mexitli, que significa “O Ungido”. Neste episódio estaria a origem do nome mexica ―o povo ungido.

A última migração foi uma determinação do deus asteca-mexica Huitzilopochtli que prometeu ao povo uma terra onde havia casas “com ouro e prata”, algodão colorido e cacau de muitos tons. Seguiram a direção indicada até que viram “uma águia pousada sobre um cactus que cresceu em uma rocha rodeada de água”. Ali deveriam se fixa e se chamariam mexica, pois eram o povo eleito, destinado a governar o resto das tribos.

Assim os astecas chegaram, segundo as lendas, pela segunda vez ao Vale do México. Estavam em Tollan, também conhecida como “Lugar do meio” e seus habitantes, sendo ancestrais dos astecas, receberam bem os imigrantes. Durante dois séculos, os astecas viveram nas margens pantanosas do lago central e, crescendo em forças e conhecimentos, fundaram sua própria cidade, Tenochtilán.

A CIDADE DE TENOCH

Este nome significa “cidade de Tenoch” e, alguns crêem que assim se chamou porque o líder dos astecas de então, o verdadeiro construtor da cidade, se chamava Tenoch. Os astecas se consideravam tenocha ― descendentes de Tenoch, tido como um antepassado tribal, uma figura paternal muito antiga.

A maioria dos especialistas da atualidade sustentam que os mexica ou tenochas chegaram ao Vale em 1140 d.C. e fundaram Tenochtilán em 1325 d.C.. Depois, cresceram em influência graças a uma série de alianças com algumas tribos, e à guerra com outras. Alguns pesquisadores duvidam que os Astecas tenham chegado a criar um verdadeiro império. O certo é que, quando chegaram os espanhóis, os Astecas eram o poder dominante no centro do México, liderando seus aliados e submetendo seus inimigos. Estes últimos, forneciam cativos para os sacrifícios. Essa política sangrenta facilitou a conquista espanhola pois era motivo de insurreição das tribos penalizadas pelos Astecas.

Tal como os hebreus bíblicos, que remontavam suas genealogias aos primeiros casal, até o começo da humanidade, os Astecas, os Toltecas e outras tribos nahuatlacas tinham lendas da criação que seguiam os mesmos temas. Mas enquanto o Antigo Testamento resumia suas detalhadas fontes sumérias idealizando uma única “entidade plural os Elohim, os relatos nahuatlacas conservavam os conceitos egípcio e sumério de vários seres divinos que atuavam, individualmente ou coletivamente.

As crenças tribais predominantes desde o sudoeste dos Estados Unidos até a atual Nicarágua sustentam que, no princípio, havia um Deus Antigo, Criador de todas as coisas do Ceu e da Terra, cuja morada estava no mais alto dos céus, no duodécimo céu. As fontes de Sahagún atribuíam a origem destes conhecimentos aos toltecas:

E os toltecas sabiam que muitos eram os céus. Diziam que havia doze divisões superpostas; ali morava o deus verdadeiro e sua consorte. ELE é o Deus celestial, Senhor da Dualidade; sua consorte é a Dama da Dualidade, a Dama Celestial. Isto é o que significa. Ele é rei, Ele é o Senhor acima do doze céus.

Surpreendentemente, isto parece uma versão das crenças religiosas-celestiais da Mesopotâmia segundo as quais na cabeça do Panteão estava Anu (Senhor do Céu) que, junto com sua consorte, Antu (Dama dos Céus) vivia em um planeta longínquo , o duodécimo membro do nosso sistema Solar.

O Sumérios o descreviam como um radiante planeta cujo símbolo era a cruz. Todos os povos do mundo adotaram este símbolo e o desenvolveram até convertê-lo no onipresente emblema do Disco Alado. O escudo de Quetzalcóalt e outros símbolos que aparecem nos primitivos monumentos do México são estranhamente similares.

Os deuses antigos, sobre os quais os textos nahuatlacas contavam estórias legendárias, eram descritos como homens barbados, como o barbudo Quetzalcóalt. Tal como nas Teogonias mesopotâmicas e egípcias habia relatos de casais divinos e irmãos que se casavam com suas próprias irmãs.

Os astecas cultuavam principalmente quatro irmãos divinos: Tlatlauhqui, Tzecatlipoca, Quetzalcóalt e Huitzilopochtli, segundo a ordem de nascimento. Eles representavam os quatro pontos cardeais e os quatro elementos primários: Terra, Vento (Ar), Fogo e água, um conceito de “raiz de todas as coisas” bem conhecido no Velho Mundo. Os quatro representavam também… as quatro raças da humanidade, um tema muito representado, (como na primeira página do códice Ferjervary-Mayer) junto com seus símbolos, cores, árvores animais.

MITOLOGIA MESOPOTÂMICA NA AMÉRICA

Os relatos nahuatlacas falam de conflitos e guerra entre deuses. Entre estas, o incidente em que Huitzilopochtli derrotou quatrocentos deuses menores e o combate entre Tezcatlipoca-Yáolt e Quezacóalt. Estas guerras pelo domínio da Terra estão entre os mitos populares de todos os povos da Antiguidade. Relatos hititas e indoeuropeus de guerras entre Teshub ou Indra com seus irmãos chegaram à Grécia através da Ásia Menos.

Os semitas cananeus e fenícios escreveram as guerras de Baal com seus irmãos, no transcurso das quais Baal matou centenas de “filhos dos deuses”. E nas terras de Cam, África, os textos egípcios falam do desmembramento de Osiris nas mãos de seu irmão Set e a guerra posterior entre Set e Horus, filho vingador de Osiris.

Acaso os deuses dos mexicanos eram concepções originais ou eram lembranças de crenças e relatos que teriam suas raízes no Oriente Próximo da Antiguidade? A resposta surge à medida que se examinam os aspectos adicionais dos relatos Nahuatlacas sobre a criação e a pré-história.

O Criador de todas as coisas dos astecas era um deus que “dá a vida e a morte, a boa e a má fortuna”. O cronista Antonio de Herrera Tordesilla (Historia general) comentava que os indígenas “o invocam em suas tribulações, com os olhos postos no céu, onde crêem que Ele está”. Esse deus criou primeiro o céu e a Terra, depois, deu forma ao homem e à mulher a partir do barro; mas não duraram muito. Depois de algum esforço mais, criou um casal humano a partir de cinzas e metais e, com eles, povoou o mundo.

Mas todos estes homens e mulheres foram destruídos em uma inundação, salvo certo sacerdote e sua mulher que, junto com sementes e animais, lograram navegar com ajuda de um tronco escavado. O sacerdote. O sacerdote descobriu terra depois de enviar uns pássaros. Segundo outro cronista, frei Gregório Garcia, a inundação durou um ano e um dia durante os quais toda a Terra esteve coberta de água e o mundo desapareceu no caos.

A ERA DO QUINTO SOL

O [registro] dos acontecimentos primitivos ou pré-históricos relativos à humanidade e aos progenitores das tribos nahuatlacas se dividem em lendas, representações pictórica e gravação, entalhe em pedra, como o calendário de Pedra, de quatro Eras ou Sóis. Os astecas consideravam sua época como a mais recente de cinco Eras, a Era do Quinto Sol. Cada um dos quatro Sóis anteriores havia terminado com uma catástrofe, as vezes uma catástrofe natural, outras, uma calamidade provocada pelas “guerras entre deuses”.

Acredita-se que o Calendário de Pedra (que foi descoberto na zona da cidade sagrada) é uma síntese das cinco Eras. Os símbolos que circundam o painel central e a imagem mesma do centro têm sido objeto de numerosos estudos. O primeiro anel interior representa, com toda clareza, os vinte signos dos vinte dias do mês asteca. Os quatro painéis retangulares que rodeiam o rosto central são reconhecidos como os emblemas que representam as quatro Eras anteriores e a calamidade que acabou com cada uma delas: água, vento, terremotos e tormentas, jaguar.

Os relatos das quatro Eras são valiosos pela informação relativa à duração das Eras e seus principais acontecimentos. Embora as versões variem, o que sugere um longa tradição oral prévia aos registros escritos, todas coincidem que a primeira Era chegou ao fim com um Dilúvio, uma grande inundação que arrasou a Terra. A humanidade sobreviveu graças a um casal: Nene e sua mulher Tata, que abrigaram-se no tronco escavado. Essa foi a primeira ou a Segunda Era dos Gigantes de Cabelos Brancos.

O segundo Sol é lembrado como Tzoncuztique, a Era Dourada; terminou por causa da Serpente do Vento. O Terceiro Sol era presidido por Serpente de Fogo e foi a Era da Gente de Cabelo Roxo. Segundo o cronista Istlil-xochtl, estes foram os sobreviventes da Segunda Era que chegaram de barco, do Oriente até o Novo Mundo fixando-se em Botonchán. Ali se encontraram com gigantes, que também haviam sobrevivido à Segunda Era. Tornaram-se escravos dos gigantes. O Quarto Sol foi a Era da Gente de Cabeça Negra.

QUETZACÓALT

Foi durante a Quarta Era que Quetzacóalt apareceu no México ― estatura alta, semblante luminoso, com barba e vestindo uma longa túnica. Senhor da sabedoria e do conhecimento, introduziu o ensino, os ofícios, as leis e cálculo do tempo segundo um ciclo de 52 anos. Seu báculo, em forma de serpente, estava pintado de negro, branco e roxo e tinha pedras preciosas engastadas, adornado com seis estrelas. (Talvez não seja casualidade que o báculo do bispo Zumá-raga, o primeiro bispo do México, seja muito parecido com o de Quetzacóalt. Foi durante esta Era que se construiu Tollan, a capital tolteca.

Até o final do Quarto Sol teve lugar uma série de guerras entre os deuses. Quetzalcóalt partiu, de volta ao leste, na direção do lugar de onde tinha vindo. As guerras dos deuses causaram estragos no país. Os animais selvagens dizimaram a humanidade e Tollan foi abandonada. Cinco anos mais tarde,chegaram os povos chichime-cas, os Astecas. E começou a Era Asteca, Era do Quinto Sol.

Por quê a duração das eras é chamada de “Sol”? O motivo não está claro e a duração das Eras não é certa. Um dos documentos mais confiáveis e, tal mostraremos, assombrosamente plausível, é o Códice Vaticano-Latino 3738. Ali diz que o primeiro Sol durou 4.008 anos, o segundo, 4.010 e o terceiro 4.081. O quarto sol começou “fazem 5.042 anos” mas não se especifica o momento de seu final. De todo modo temos aqui um relato dos acontecimentos que remonta 17.141 anos a partir do momento em os relatos foram registrados.

É um lapso de tempo demasiado longo para que se possa recordar algo e os estudiosos, embora aceitem os acontecimentos do Quarto Sol como dotado de conteúdos históricos tendem a considerar tudo que é relativo às Eras anteriores como meros mitos. Como explicar, então, os relatos de Adão e Eva, um Dilúvio global e a sobrevivência de um casal ― episódios que, segundo H.B.Alexander (Latin American Mythology) são “surpreendentemente evocadores do relato da criação do Gênesis e da cosmogonia babilônica”?

MESOPOTÂMIA

Alguns alegam que os textos nahuatlacas refletem, de algum modo, o que os indígenas haviam escutado nos sermões bíblicos dos espanhóis. Porém, posto que nem todos os códices são posteriores à Conquista, as similitudes bíblico-babilônicas somente se podem explicar admitindo-se que as tribos mexicanas tinham laços ancestrais com a Mesopotâmia.

Ademais, a cronologia mexica-nahuat se correlaciona com acontecimentos e momentos com uma precisão científica e histórica que deveria levar mais de um a deter-se refletir. O Dilúvio fecha a primeira Era, cerca de 13,133 anos antes do momento em que se escreveu o códice, ou seja, há 11.600 anos a.C.. Em 12° Planeta (livro de Zecharia Sitchin) chegamos à conclusão de que um Dilúvio certamente arrasou a Terra por volta de 11.000. As correspondências entre os relatos e a cronologia sugerem que há algo mais que mitologia nos relatos dos Astecas.

Também intriga a afirmação dos relatos de que a Quarta Era foi a época da Gente de Cabeça Negra (as Eras anteriores foram a do Gigante de cabelo Branco e a Gente de cabelo Roxo). Cabeça Negra é precisamente o termo pelo qual se chamavam os sumérios em seus textos. Acaso os relatos astecas sugerem que o Quarto Sol foi a época em aparecem os sumérios?… Os povos nahuatlacas deviam conhecer os relatos que aparecem no Gênesis a partir de suas próprias fontes ancestrais.

AS TRIBOS DE ISRAEL

Os espanhóis ficaram desconcertados por haver descoberto na Terra uma civilização, um novo Mundo tão similar à Europa, com população tão numerosa. Mais espantados ficaram com as conexões bíblicas dos relatos Astecas. Buscando uma explicação, ocorreu-lhes que aqueles deviam ser os descendentes das Tribos Perdidas de Israel, que foram exiladas pelos Assírios em 722 a.C. e desapareceram sem deixar rastro.

O primeiro a expor esta idéia em um detalhado manuscrito foi o frei dominicano Diego Duran, que foi levado a Nova Espanha em 1542, aos cinco anos deidade. Seus dois livros, um deles conhecido em inglês ― Book of the Gods and Rites and the Ancient Calendar e História de las Índias de Nueva España. No segundo livro, Duran, fazendo uma exposição das muitas similitudes, afirmava enfaticamente sua conclusão de que “os nativos das Índias e do continente do Novo Mundo […] são judeus e gente hebreia. Segundo ele, sua teoria estava confirmada. Segundo ele: “por sua natureza, estes nativos são parte das dez Tribos de Israel que Salmanasar, capturou e levou para a Assíria.

Suas transcrições de conversas com velhos indígenas resultou em uma coleção de lendas tribais de uma época em que haviam existido “homens de monstruosa estatura que apareceram e tomaram o país… E estes gigantes,buscando encontrar a forma de chegar ao sol decidiram construir uma torre tão alta que sua cúspide chegaria ao céu.” Este relato, que se parece com o relato bíblico da Torre de Babel, iguala em importância outro relato referente a uma migração similar ao Êxodo.

Não é de se estranhar que com a difusão deste tipo de teoria, a teoria da Dez Tribos Perdidas, se converteu na favorita dos séculos XVI e XVII. supunha-se que, de algum modo, indo em direção leste através dos domínios Assírios e, mais além, os israelitas haviam alcançado as Américas. A teoria, que em seu auge de popularidade recebeu o respaldo das cortes reais européias, terminou, posteriormente,sendo ridicularizada pelos estudiosos.

As teorias atuais sustentam que o homem chegou ao Novo Mundo proveniente da Ásia, através de uma “ponte” de gelo, pelo Alaska, há 20 ou 30 mil anos atrás, alcançando pouco a pouco a região mais ao sul. Existem evidências consideráveis quanto a objetos, língua e valores etnológicos e antropológicos que indicam influências do pacífico, hindus, do sudeste asiático, China, Japão e ilhas Polinésias. Pesquisadores explicam que os deslocamentos foram periódicos e insistem muito que isso ocorreu durante a era Cristã, somente alguns séculos antes da conquista e nunca antes de Cristo.

Os acadêmicos conservadores ao tempo em que minimizam toda evidência de contatos transatlânticos entre o Velho e o Novo Mundo, fazem uma concessão para os contatos transpacíficos relativamente recentes como explicação dos relatos similares aos do Gênesis que existem nas Américas. Esquecem que as lendas sobre um Dilúvio global e da criação do homem a partir da argila… são temas comuns às mitologias de todo o mundo e uma possível rota entre Américas e Oriente Próximo (onde se originaram os relatos) poderia ter sido estabelecida através do sudeste asiáticos e das ilhas do Pacífico.

Mas existem elementos nas versões nahuatl que indicam uma fonte muito primitiva. É uma versão mesopotâmica do Gênesis mais antiga. A Bíblia, de fato, não tem apenas uma versão do livro da criação; tem duas, ambas extraídas de primitivas versões mesopotâmicas. Ambas ignoram uma terceira versão, possivelmente ainda mais velha, na qual a humanidade não se fez de argila somente, mas com o sangue de um deus. No texto sumério em que se baseia esta versão, o deus Ea, em colaboração com a deusa Ninti “preparou um banho purificador: “Que se sangre para um deus, ele ordenou; e sua carne e seu sangue, Ninte misture com argila.” A partir dessa mistura criaram-se homens e mulheres.

É muito significativo que seja esta versão que não está na Bíblia a que se repete no mito asteca. O texto é conhecido como Manuscrito 1558 e conta que do calamitoso fim do Quarto sol, os deuses se reunirão em Teotihuacán. Tão logo os deuses estavam reunidos, disseram:

Quem habitará a Terra
O céu já está estabelecido
a Terra está preparada
Mas quem, oh deuses! viverá na Terra?

Os deuses reunidos ficaram desanimados. Foi então que Quetzalcóalt, o deus da sabedoria e ciência, teve uma idéia. Foi a Mictlán, a Terra dos Mortos e explicou ao casal de deuses que governava aquele mundo: “Venho pelos preciosos ossos que guardais aqui.” ― E superando todas as objeções e contratempos, Quetzalcoóalt conseguiu os ossos:

Reuniu os ossos;
e os ossos do homem
colocou de um lado
e os da mulher de outro
e os reuniu em feixes

Levou os ossos secos a Tamoanchán, “nosso lugar de origem, de onde descendemos”. Ele deu os ossos à deusa Cihuacóalt (Mulher Serpente), uma deusa da magia. Enquanto os deuses observavam, ela misturou os ossos pulverizados com o sangue do deus [Ea]; e dessa mistura argilosa foram criados os macehuales. A humanidade tinha sido criada!

Nos relatos sumérios, os criadores do homem foram os deuses Ea (“cujo lugar é a água”), também conhecido com Enki (“Senhor da Terra”), cujos epítetos e símbolos referem-se à habilidade de metalúrgico e todas as palavras que encontram seu equivalente lingüístico com o termo “serpente”. Sua companheira na façanha, Ninti (“a que dá a vida”) era a deusa da medicina, um ofício cujo símbolo, desde a antiguidade são as serpentes entrelaçadas. As representação sumérias em selos cilíndricos mostram os dois deuses em um lugar algo parecido com um laboratório

Junto com outro dados relacionados aos sumérios e à terminologia, existem indícios de contatos em época bastante recuada. Ao que parece, as evidências desafiam também as teorias atuais acerca da primeiras migrações do homem para as Américas. Com isto, estamos sugerindo que a migração não aconteceu através do estreito de Bering, pelo norte mas sim, desde a Austrália e Nova Zelândia através até o descobrimento do Chile. Na fronteira com o Peru foram achadas múmias de 9 mil anos.

As teorias que contemplam as rotas via norte ou via Antártida, rejeitando uma primeira chegadas em terras chilenas têm a desvantagem de supor um trajeto longo demais para um grupo numeroso, com mulheres e crianças em território gelado, fosse no estremo norte ou sul. Por quê viajariam milhares de quilômetros em terras geladas a menos que soubessem da existência de uma Terra Prometida após o gelo? E como poderiam saber tal coisa se por definição foram “os primeiros” as chegar na América?

No relato bíblico do Êxodo do Egito, o Senhor descreve a Terra Prometida como uma terra de trigo, cevada, vinho e figueiras, uma terra “onde corriam o azeite [de oliva] e o mel. Uma terra cujas pedras são de ferro e as montanhas, ricas em cobre. O deus dos Astecas também descreveu sua Terra Prometida como uma terra de “casa com ouro e prata, algodão multicolorido e cacau de muitos tons”.

Acaso aqueles primitivos emigrantes haviam se lançado naquela incrível caminhada sem alguém ― seu deus ― para guiá-los? E se essa divindade não fosse simplesmente uma entidade teológica e sim um ser fisicamente presente na Terra? Poderia ter ajudado os emigrantes a vencer os obstáculos da viagem do mesmo modo de o “Senhor de Israel” havia feito com os judeus.

É com pensamentos desse tipo, de por quê e como poderia ter sido empreendida uma viagem tão penosa que temos lido relido os relatos nahuatlacas sobre a migrações e as quatro Eras. Dado que o primeiro sol havia terminado com um Dilúvio essa deveria se a fase final da última glaciação pois, tal como concluímos em 12° Planeta [livro do autor deste texto], o Dilúvio foi provocado pelo deslizamento da capa de gelo antártico, aumentando o volume das águas dos oceanos há 11 anos antes de Cristo.

LUGAR BRANCO

Acaso o lugar original dos povos nahuatlacas, o legendário Aztlán ― “o lugar branco” assim se chamava pela simples razão de que branco era? Uma terra branca, uma terra coberta de neve. Seria esse o motivo pelo qual, sobre a Primeira Era do Primeiro Sol se diz que foi a “Era dos “Gigantes de Cabelos Brancos”? É possível que as recordações históricas dos Astecas, rememorando o Primeiro Sol, há 17.141 anos arás contavam, em realidade, uma migração para a América 15 mil anos antes de Cristo quando o gelo formava uma ponte com o Velho Mundo? E, por outro lado, seria possível que a travessia não tivesse sido feita por uma “ponte de gelo” e sim em barcos através do oceano Pacífico, tal como relatam as lendas náhuatl? [As lendas falam em travessia de barcos, e barcos toscos].

As lendas de um desembarque pré-histórico na costa do Pacífico não se limitam aos povos mexicanos. Mais ao sul, os povos andinos conservam tradições de natureza [conteúdo] similar, relatados como lendas. Uma delas, a Lenda de Naymlap possivelmente remete aos primeiros assentamentos de gente de outro lugar naquele litoral. Esta lenda fala da chegada de uma grande frota de balsas de junco. Na balsa que liderava a frota havia uma pedra verde que falava; dizia as “palavras de deus” ao povo; dava indicações ao chefe dos migrantes, Naymlap, para levá-los até a praia escolhida. A divindade, falando através do ídolo verde, posteriormente, instruiu o povo nas artes da agricultura, nas ciências das edificações e no artesanato.

Algumas versões da lenda do ídolo verde identificam o cabo de Santa Helena, no Equador, como lugar de desembarque. Ali, continente sul-americano se projeta mais a oeste, no Pacífico. Vários cronistas, entre eles Juan Velasco, documentaram lendas nativas de falavam que os primeiros povoadores das regiões equatoriais foram gigantes; adoravam o sol e a lua além de um panteão de deuses e, onde hoje situa-se a capital do Equador, segundo Velasco, os povoadores construíram templos, um em frente ao outro. O templo dedicado ao sol tinha, em frente à porta, duas colunas de pedra e, no pátio, outros doze pilares de pedra dispostos em círculo.

Ao completar sua missão, Maymlap partiu. Ele não morreu, como aconteceu com seus sucessores; ganhou asas e se foi voando para não voltar mais e levando consigo a pedra falante. Os indígenas americanos não estavam sozinhos na crença de que podiam receber instruções divinas através de uma pedra falante: todos os povos antigos do Velho Mundo falavam com pedras oraculares e criam acreditavam nelas. A Arca que os israelitas levavam durante o Êxodo tinha, na parte superior, o Dvir literalmente “falador”, um instrumento portátil através do qual Moisés podia escutar as instruções do Senhor.

O episódio da partida de Naymlap, que foi “levado aos céus” também tem seus paralelismos bíblicos. No capítulo 5 do Gênesis está escrito que na sétima geração de Adão, através de Set, o patriarca foi Enoch que, ao chegar à idade de 365 anos “se foi” da Terra, pois o Senhor o levou para o Céu.

Os especialistas têm problema com a idéia de cruzar o Pacífico em barcos há 15 ou 20 mil anos. O homem, dizem, era demasiado primitivo naquele tempo para ter barcos oceânicos e navegar em alto mar. Foi por volta do 4º milênio a.C. que a humanidade teria conseguido meios terrestres (veículos com rodas) e aquáticos (barcos) de transporte em longas distâncias.

Segundo os sumérios, havia existido uma avançada civilização sobre a Terra antes do Dilúvio; uma civilização fundada por aqueles que tinham tinham vindo do planeta Anu e que se havia prolongado através de uma linhagem de “semideuses” de longa vida, os descendentes da miscigenação entre os extraterrestres (os bíblicos nefilim) e as “filhas dos homens”. As crônicas egípcias, como os escritos do sacerdote Manetón seguiam a mesma idéia e, mesmo na bíblia, existe a descrição de uma civilização tanto rural (agricultura e pastoreio) como urbana (cidades, metalurgia) antes do Dilúvio. O Dilúvio exterminou tudo o que havia sido feito pelo homem na face da Terra e tudo teve de recomeçar do princípio.

CAIM

O relato do criação do Gênesis é uma versão resumida dos relatos muitos mais detalhados dos textos sumérios. Nestes, se fala constantemente de Adão, literalmente, “o terrestre” [terráqueo?]. Lá está toda a genealogia de Adão: “Este é o livro das gerações de Adão”. No começo, Adão teve dois filhos: Caim e Abel. Caim matou seu irmão e por isso foi desterrado por Yavé (Javé, Iavé ou Jeová): “E Adão conheceu sua mulher de novo e ela lhe deu um filho que foi chamado Set.” É através da linhagem de Set que a Bíblia segue uma genealogia de patriarcas até Noé, o protagonista da história do Dilúvio. Depois, o relato se concentra nos povos asiáticos, africanos e europeus.

Mas, o que aconteceu com a linhagem de Caim? A Bíblia tem uma dúzia de versículos sobre isso. Iavé condenou Caim a viver como nômade, “fugitivo e vagabundo sobre a Terra”:

E Caim saiu da presença de Iavé
e habitou a Terra de Nod, a este do Éden
E Caim conheceu sua mulher
e com ela engendrou Enoch
E ele construiu uma cidade
e pôs na cidade o nome de seu filho, Enoch

Várias gerações depois nasceu Lamek. Este, tev
e duas esposas; de uma delas teve Yabal: ‘Ele foi pai dos que habitam em tendas e têm gado”; da outra esposa, teve dois filhos; um Yubal, que foi o “pai dos que tocam flauta”. O outro filho, Tubal Caim, foi forjador de ouro, cobre e ferro.

A essa escassa informação bíblica é acrescentado o pseudo-epigráfico Livro dos Jubileus que, acredita-se, foi escrito no século II a.C. a partir de fontes mais antigas. Relacionando os acontecimentos com a passagem dos Jubileus, ali diz:

“Caim tomou sua irmã Awan (Avan) para que fosse sua esposa e ela lhe deu Enoch no final do quarto jubileu. E na primeira semana do quinto Jubileu, se construíram casa na terra e Caim construiu uma cidade e lhe pôs o nome de seu filho Enoch.”

Os eruditos bíblicos ficam desconcertados com o nome de Enoch, que significa “fundamento” “fundação” e que se aplica tanto a um descendente de Adão através de Set como a outro descendente, através de Caim assim como outras similitudes nos nomes dos descendentes. Seja qual for o motivo, é evidente que as fontes sobre as quais se basearam os compiladores da Bíblia atribuem façanhas extraordinárias a ambos “Enochs” que, talvez, seja uma só e mesma pessoa pré-histórica.

O livro dos Jubileus afirma que: “Enoch foi o primeiro entre os homens que nasceu na Terra que aprendeu a escrever, aprendeu os conhecimentos e a sabedoria e que escrevia o sinais dos céus, segundo os meses, em um livro.” Segundo o Livro de Enoch, a este patriarca foram ensinadas, durante uma “viagem celestial” as matemáticas e o conhecimento dos planetas assim como o calendário e a localização das “Sete Montanhas de Metal” na Terra, a oeste.

Os textos pré-bíblicos sumérios, conhecidos como as Listas dos Reis relatam também a história de um soberano antediluviano a quem os deuses ensinaram todo tipo de conhecimento. Seu nome-epíteto era “En-Me-Dur.An.Ki (Senhor do Conhecimento e dos Fundamentos do Céu e da Terra) e é muito provável que seja um protótipo dos Enochs bíblicos.

Os relatos nahuatlacas das andanças e chegada a um destino final, do assentamento e de construção de uma cidade; de um patriarca com duas esposas. cujos filhos são a origem dos povos; de um que se tornou famoso por ser forjador de metais, são demasiado semelhantes aos relatos bíblicos. Incluindo a importância que os náhuatl dão ao número sete, tal como na Bíblia. O sétimo descendente da linhagem de Caim, Lamek, proclamou enigmaticamente que “até sete vezes sete será vingado Caim; e Lamek, setenta vezes sete”. Não seriam essas lendas as recordações da desterrada linhagem de Caim e seu filho Enoch?

Os Astecas chamaram sua cidade de Tenochtitlán, a Cidade de Tenoch, assim denominada em honra a seu antepassado. Se levarmos em conta que, em seu dialeto, os Astecas assinalavam muitas palavras com o som “T”, Tenoch poderia ter tido origem em “Enoch”.

Um texto babilônico baseado, segundo especialistas, em um primitivo texto sumério do terceiro milênio a.C., conta, enigmaticamente, uma disputa que termina com um assassinato, entre um lavrador e seu irmão pastor, iguais aos bíblicos Caim e Abel. condenado a “vagar com pesar”, o infrator, chamado Ka’in, emigrou para a terra Dunns e ali “construiu uma cidade com torres gêmeas.

As torres gêmeas na cúspide das pirâmides é um signo distintivo da arquitetura asteca. Seria esse “estilo” uma herança da engenharia de Ka’in, uma cidade com torres gêmeas? E Tenochtitlán, a “cidade de Tenoch”, não deve seu nome devido à história de Caim que, milênios atrás “construiu uma cidade e lhe pôs o nome de seu filho, Enoch”? Não seria essa cultura da América Central o Reino Perdido de Caim? É uma possibilidade que responde a questões relacionadas aos primórdios do homem nestes territórios.

A hipótese pode esclarecer outros enigmas, como “a marca de Caim”, que pode ser um traço hereditário marcante dos ameríndios: a ausência de pelos no rosto. Segundo o relato bíblico, Caim, depois de ser desterrado e condenado a vagar pelo Oriente começou a preocupar-se com a possibilidade de ser assassinado por alguém buscando vingança. O Senhor, então, “pôs um sinal em Caim” para que fosse reconhecido como estando sob a proteção do Senhor.

Ainda que ninguém saiba em que pode se constituir esse sinal, geralmente se aceita que foi algum tipo de tatuagem à vista. Mas a Bíblia diz que o sinal valerá como proteção até a sétima geração e mais além. Um, sinal como esse tem de ser uma marca genética, algo que se transmite hereditariamente. Os ameríndios não têm barba. Talvez sejam eles os descendentes de Caim e o Novo Mundo, seria o reino Perdido de Caim.

(O REINO PERDIDO DE CAIM)
In Crônicas da Terra
de Zecharia Sitchin
trad. (esp/port.): Ligia Cabus (Mahajah!ck)

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Sugestão de filmes para analizar

Assistam aos filmes: Os desbravadores, 10.000 a.C e Apocalypto. Muito interessante…

Abraços a todos e até a próxima aventura



cristovão says:

muito interessante as relações de nomes e locais, tais como enoch e tcnoch. E para se pensar.



luana says:

nosssa q bagulho tenso mannoooo
mais é daora…..tenso mais daora
mais eu q nem queria estar nesta epoca



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