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Arquivo paraNovembro, 2007
Os seres vivos
BANG! Assim começou o mundo: com uma grande, grande explosão. Da formação dos planetas às primeiras formas de vida, dos gigantescos dinossauros à queda de um meteorito na Terra, dos pequenos mamíferos que sobreviveram à catástrofe (enquanto os dinossauros se extinguiam) ao desenvolvimento dos seres humanos, vão milhares e milhões de anos.
O planeta Terra formou-se há cerca de 4,6 bilhões de anos. Sua aparência inicial era completamente diferente da aparência que tem hoje. Não havia nele qualquer tipo de ser vivo. Supõe-se hoje, através do estudo de fósseis, que os primeiros seres vivos surgiram provavelmente há cerca de 3,5 bilhões de anos. Ao longo dos tempos, várias hipóteses foram elaboradas na tentativa de responder como os planetas apareceram – como a hipótese da geração espontânea, a hipótese extraterrestre entre outras. A hipótese da geração espontânea
Até o século XIX, imaginava-se que os seres vivos poderiam surgir não só a partir da reprodução de seres preexistentes, mas também a partir de matéria sem vida, de uma forma espontânea. Essa idéia, proposta há mais de 2.000 anos por Aristóteles, filósofo grego, é conhecida como geração espontânea.
Segundo aqueles que acreditavam na geração espontânea, determinados objetos poderiam conter um “princípio ativo”, isto é, uma espécie de “força” capaz de transformá-los em seres vivos. Através da geração espontânea, explicava-se, por exemplo, o aparecimento de vermes no intestino humano, como a lombriga, ou o surgimento de ”vermes” no lixo ou na carne em putrefação. Logicamente, quem assim pensava desconhecia o ciclo de vida de uma lombriga ou uma de mosca. Hoje, sabe-se que as lombrigas surgem no intestino humano a partir da ingestão de água e de alimentos contaminados por ovos fecundados de lombrigas preexistentes. Sabe-se também que os “vermes” que podem aparecer no lixo e na carne em decomposição são, na verdade, larvas de moscas que se desenvolvem a partir de ovos depositados nesses materiais por moscas fecundadas. A hipótese extraterrestre Svante Arrhenius (1859-1927), um físico e químico sueco, supunha que, em épocas passadas, poeiras espaciais e meteoritos caíram em nosso planeta trazendo certos tipos de microrganismos, provavelmente semelhantes a bactérias. Esses microrganismos, então, foram se reproduzindo, dando origem à vida na Terra.A hipótese de Oparin
Até chegar à forma que tem hoje, com seu relevo, rios, oceanos, campos, desertos e seres vivos, a Terra passou por diversas transformações.
Quando se formou admite-se, o planeta era tão quente que era impossível a vida desenvolver nele. O surgimento da vida só se tornou possível com algumas mudanças ocorridas, por exemplo, no clima e na composição dos gases atmosféricos.
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Atmosfera primitiva |
Atmosfera atual |
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Hidrogênio (H2) |
Nitrogênio (N2) |
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Metano (CH4) |
Oxigênio (02) |
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Amônia (NH3) |
Gás carbônico (CO2) |
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Vapores de água |
Vapores de água |
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Gases nobres |
Os vapores de água foram um dos componentes mais importantes da atmosfera primitiva. Admite-se que eles resultaram da grande atividade dos vulcões. Esses vapores de água foram se acumulando na atmosfera durante séculos.
Nas altas camadas da atmosfera, os vapores de água, na forma de densas nuvens, resfriavam-se e, condensando-se, começaram a cair como chuva. Era o início do ciclo da água, que ocorre até hoje (evaporação => condensação => chuva). Como a superfície da Terra era quentíssima, a água evaporava-se quase imediatamente, voltando a formar nuvens. Por milhões de anos, imagina-se, houve essa seqüência de chuvas e evaporação antes que os oceanos fossem formados. Somente quando a superfície da Terra se resfriou muito, começou a haver acumulo de água líquida em regiões mais baixas, formando lagos, mares e oceanos.
Foi nos oceanos primitivos que a vida deve ter se originado. Pelo menos é o que até agora os cientistas têm aceito como hipótese mais provável. Um deles, o bioquímico russo de nome Aleksandr Ivanovitch Oparin (1894-1980), procurou explicar a formação do primeiro ser vivo a partir de moléculas orgânicas complexas.
Das moléculas orgânicas aos coacervados
Oparin acreditava que as moléculas orgânicas foram produzidas a partir de reações ocorridas entre os gases existentes na atmosfera primitiva. Essas reações teriam sido provocadas pela energia do raios ultravioletas do Sol e pelas descargas elétricas dos raios durantes as tempestades, então muito freqüentes.
Entre as diversas moléculas orgânicas supostamente produzidas a partir de gases primitivos, destacam-se os aminoácidos. Os aminoácidos formados devem ter combinado entre si dando origem a outras substâncias mais complexas, chamados proteínas. Ao longo de milhões de anos, as proteínas foram se acumulando nos mares primitivos e se juntando em minúsculos aglomerados, que Oparin chamou de coacervados.
Dos coacervados às células
A ciência atual admite que muitas substâncias presentes nos mares primitivos foram lentamente se juntando aos coacervados, tornando-os cada vez mais complexos. Admite também que no interior dos coacervados ocorreram muitas reações entre substâncias inexistentes, até que, depois de milhões de anos, surgiram os ácidos nucléicos.
Os ácidos nucléicos organizam o material genético de uma célula e comanda suas atividades diversas, inclusive a reprodução. Assim, com o surgimento dessas moléculas muito especiais, os coacervados puderam se transformar em seres unicelulares.
Os primeiros seres vivos da Terra, eram unicelulares, heterotróficos e alimentavam-se de substâncias existentes nos oceanos.
Com o passar do tempo, o número desses seres primitivos aumentou muito. Os alimentos existentes no oceanos foram lentamente se tornando insuficiente para todos. Mas milhões de anos depois, após muitas modificações acorridas no material genético, alguns desses seres tornaram-se capazes de produzir clorofila e fazer fotossíntese. Surgiram, então os primeiros seres autotróficos, que produziam o alimento necessário para manter a vida na Terra.
Foi a partir desses dois tipos de seres que se desenvolveu a vida na Terra. Eles foram se diferenciando cada vez mais e lentamente originando todos os seres vivos que conhecemos hoje, inclusive o homem.
O universo
A origem do Universo é uma das grandes interrogações do homem, e está entre aquelas que mais geram polêmica e desentendimentos.
Existem duas linhas de respostas para essa tão intrigante questão. O primeiro grupo envolve as explicações de cunho mítico/ religioso e o segundo grupo trata das explicações científicas e filosóficas.
Aqui, apresentaremos brevemente cada um desses dois grupos de idéias e teorias.
Os mitos, as lendas e muitos dogmas religiosos apresentam diversas explicações que tratam desde a criação do mundo, o surgimento dos seres vivos, a origem da humanidade e os fenômenos da natureza (chuvas, furações, terremotos, ventos, trovões, relâmpagos, eclipses, arco-íris, etc.). Segundo diversos pesquisadores (antropólogos, filósofos, educadores, teólogos, psicólogos, psicanalistas, historiadores, etc.), tais explicações, embora às vezes aparentemente ingênuas, são importantes por mostrarem valores comunitários nas mais diversas culturas.
Os mitos cosmogônicos se destacam dos demais por tratarem da origem do Cosmos, buscando explicar como todas as coisas (seres vivos, espíritos, deuses, astros, planetas, fenômenos naturais, etc.) estão inter-relacionadas.
A cosmogonia chinesa, por exemplo, atribui a origem de todas as coisas a Pan Gu (entidade mítica), que produziu as duas forças ou princípios universais do “yin” e “yang”. O “yin” e “yang” são duas forças complementares ou os dois princípios contrários que se harmonizam e abrangem todos os aspectos e fenômenos da vida. Conforme acreditam os chineses, com a combinação desses dois princípios contrários foram formados os quatro emblemas e os oito trigramas e, por fim, todos os elementos que compõem o Universo.
Na tradição cristã, o mundo foi criado por um Deus Onipresente, Onisciente e Onipotente, que determinou sob sua própria vontade quando e como surgiriam todas as coisas. De acordo com o Livro de Gênesis, todas as coisas (planetas, cometas, plantas, animais e o primeiro casal, Adão e Eva) foram feitos por Ele em seis dias. E, conforme acreditam a maioria dos cristãos, Deus ainda interfere rotineiramente na sua obra criada.
Esses são só dois exemplos bastante conhecidos, mas, além deles, existem milhares de outras explicações para a origem do Universo. Com raras exceções, cada povo e cada grupo étnico possui sua própria explicação acerca desse tema. Só para se ter uma idéia do número de mitos e lendas abordando essa questão vale lembrar que atualmente no Brasil existem mais de 220 povos indígenas, cada um com suas particularidades, tradições e costumes. Sendo que muitos destes povos indígenas possuem explicações únicas e totalmente diferentes daquelas apresentadas pelos chineses e cristãos.
O segundo grupo de teorias apresenta a origem do mundo baseando-se em opiniões filosóficas e estudos científicos. A mais famosa delas é a “teoria do Big Bang” (que significa “grande explosão”), que foi proposta em meados do século XX.
Mas, antes de falar sobre a “teoria moderna do Big Bang”, é preciso apresentar como e quando no mundo ocidental ocorreu a separação entre as teorias míticas/ religiosas e o pensamento filosófico/ científico.
Durante toda a Idade Média, a versão predominante da origem do Universo para o mundo ocidental estava intimamente ligada à “teoria Criacionista” do cristianismo católico. No período do Renascimento, pouco a pouco, as concepções tradicionais do cristianismo sobre a criação foram deixadas de lado pela maioria dos filósofos e cientistas.
O filósofo inglês John Locke (1632-1704) não aceitava a criação como obra “ex-nihilo” (criação a partir do nada). Para John Locke, a origem do Universo só poderia ter ocorrido a partir da elaboração de matéria preexistente. Partindo dessas idéias, diversos filósofos como o holandês Baruch de Spinoza (1632-1677), o escocês David Hume (1711-1776) e os alemães Immanuel Kant (1724-1804), Johann Gottlieb Fichte (1762-1814), Friedrich W. J. von Schelling (1775-1854), deram enormes contribuições nessa polêmica questão. Essas contribuições culminaram com a concepção de Georg W. Friedrich Hegel (1770-1831), que não conseguia imaginar a idéia de Deus sem a existência do mundo. A criação, para Hegel, é concebida em sentido naturalístico, como evolução, ou em sentido idealístico, como atividade universal do espírito.
Dando seqüência às idéias desses filósofos e com a contribuição de diversos outros pesquisadores, na década de 1920, os russos Alexander Alexandrovich Friedmann (1888-1925) e Abbé Georges Lemaître (1894-1966) apresentaram uma primeira versão sobre a “teoria do Big Bang”. Um pouco depois, na década de 1940, um grupo de pesquisadores chefiado pelo americano George Anthony Gamow (1904-1968) apresentou uma versão modificada dessa teoria e que está em uso até os dias de hoje.
Segundo George Gamow, o universo expandiu-se rapidamente a partir de um estado inicial de alta compressão, o que teve como resultado uma significativa redução de densidade e temperatura. Logo depois, a matéria passou a predominar sobre a antimatéria. Depois de alguns segundos, com a possível presença de alguns tipos de partículas elementares, o universo teria se resfriado o suficiente para surgirem núcleos de gases, tais como: hélio, lítio e hidrogênio. Após isso, formaram-se os primeiros átomos. E, em seguida, houve o preenchimento do universo através de sua expansão.
Tudo isso, desde os primeiros estágios iniciais do surgimento do Universo, passando pela formação de galáxias e sistemas planetários até chegar aos dias atuais, transcorreu em um período de aproximadamente 15 bilhões de anos.
Vale lembrar que ao longo das últimas décadas, a “teoria do Big Bang” ganhou inúmeras outras contribuições através de diversos estudiosos, como por exemplo, os americanos Arno Allan Penzias (1933-) e Robert Woodrow Wilson (1936-), e o britânico Stephen William Hawking (1942-). E, na mesma proporção que a “teoria do Big Bang” ganhou adeptos, inúmeros também foram aqueles que se aglomeraram em torno da tentativa de difamá-la e combatê-la.
Mas, independente de cremos ou não em qualquer uma dessas teorias, o mais importante que cada um de nós pode fazer é pensar no presente e no futuro que queremos deixar para as próximas gerações. Pequenas atitudes individuais e coletivas, tais como respeito ao próximo, maior tolerância às diferenças, luta contras as desigualdades sociais, interesse na preservação do meio ambiente, entre tantas outras, podem ser fundamentais para garantirmos um futuro promissor para nossos descendentes.
É nisso que temos que nos concentrar, pois certamente que essas polêmicas acerca da origem do Universo ainda vão continuar por um longo tempo. E se ficarmos envolvidos unicamente nessas polêmicas acerca do passado, nós corremos o risco de esquecer nosso presente e o futuro que queremos.